Marcio Rachkorsky: “O aconchego do lar”

Eis que, de repente, vimo-nos presos em casa, numa quarentena sem fim! Eis que, de repente, passamos a trabalhar em casa, a almoçar e jantar em casa!

Sempre me encantei por apartamentos antigos! Maiores, arejados, bem divididos, paredes grossas, charmosos e incrivelmente aconchegantes. Com tristeza, acompanhei a decadência de muitos condomínios outrora valorizadíssimos, fruto da falta de manutenção, de gestões incompetentes, de altos custos fixos e de uma incrível mudança do mercado imobiliário.

Ao longo dos últimos anos, o conceito de moradia coletiva sofreu uma transformação radical, não só por gosto das pessoas, mas também por viabilidade econômica dos empreendimentos imobiliários. Com a chegada dos gigantescos condomínios clube, áreas comuns super equipadas e varandas gourmet viraram o xodó dos brasileiros e os corretores nadaram de braçada com esse novo mote de venda. Mais recentemente, sobretudo nas grandes capitais, ganharam força os edifícios conceito, bem localizados, com apartamentos minúsculos, focados na praticidade, na modernidade, no minimalismo e nos custos fixos mais baixos.

Perplexo, acompanhei o sucesso de vendas de apartamentos com 26,  22, 18 metros quadrados, por preços altíssimos, um fenômeno a ser estudado. Com tristeza, também acompanhei a desvalorização de apartamentos antigos fabulosos, vendidos por uma ninharia. De toda forma, consegui compreender todas as nuances que levaram o mercado imobiliário a trilhar esse caminho ao longo dos últimos anos e entendi que não fora apenas um aspecto exclusivamente econômico, mas também uma mudança conceitual, uma quebra de paradigmas, até mesmo em função dos jovens comprarem imóveis cada vez mais cedo.

Eis que, de repente, vimo-nos presos em casa, numa quarentena sem fim! Eis que, de repente, passamos a trabalhar em casa, a almoçar e jantar em casa! Demo-nos conta que espaço, aconchego e isolamento acústico, são componentes essenciais para uma moradia completa e a saudade do bom e velho apartamento mais antigo bateu para muitos. O conceito de praticidade extrema foi relativizado e começo a notar, feliz da vida, um aquecimento nas vendas e locações de apartamentos antigos, numa interessante composição entre custo e qualidade de vida.

Até mesmo os imponentes condomínios empresariais, com grandes lajes corporativas, sentirão em breve os impactos da nova mentalidade e, não raramente, já escuto CEOs comentando que substituirão andares inteiros por escritórios menores, fascinados pela possibilidade de redução de custos e com o sucesso do home office.

Que venham as oportunidades, que saibamos equacionar tudo isso e, ao final dessa jornada, estou certo de que ter um apê gostoso, limpo, organizado, aconchegante e com a nossa carinha é tudo de bom!

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