Moacyr Felix: “Cadê o crédito?”

Os micros e pequenos empresários sofrem encurralados pelos desdobramentos da crise e não contam com o apoio do Governo quando precisam de credibilidade para acessar o mercado de crédito

Oito meses do governo do presidente Jair Bolsonaro já se passaram e, apesar de avanços em relação à Reforma da Previdência, muito ainda falta para que o empresário destrave a estagnação de seus negócios e deixe para trás toda carga negativa que absorveu como consequência aos desdobramentos da crise. No final de julho deste ano, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu pela metade sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019.  Um dos principais indicadores do potencial da economia nacional, o PIB é a soma de todas as riquezas produzidas por um país, em um determinado período, seja na forma de bens, produtos ou serviços.

No Informe Conjuntural relativo ao segundo trimestre do ano, os economistas da CNI sugerem que, “em um cenário sem mudanças mais substantivas na política econômica”, a economia brasileira crescerá 0,9%. Em abril, considerando os principais indicadores do primeiro trimestre, a CNI previa que a atividade econômica aumentaria 2% em 2019.  Além disso, a indústria reduziu de 2,2% para 1,5% a previsão de crescimento do consumo das famílias e de 4,9% para 2,1% a estimativa para a expansão do investimento.

Em função do que classifica como “o marasmo que dominou a economia” ao longo de todo o primeiro semestre, a Confederação estima que a taxa de desemprego continuará elevada, atingindo a 12,1% da força de trabalho. A taxa de desemprego, medida pela PNAD-Contínua Mensal do IBGE, recuou de 12,5% da força de trabalho para 12,3%, na passagem de abril para maio. Apesar dessa ter sido a segunda queda consecutiva do indicador, a entidade considera que a lentidão com que o mercado de trabalho vem reagindo à crise é um “reflexo do baixo dinamismo da economia brasileira”. Consequentemente, o crescimento do rendimento médio real e da massa salarial real desacelerou nos primeiros cinco meses do ano, na comparação com igual período do ano passado.

Em seu informe, a CNI diz que a economia brasileira precisa de estímulos para superar o atual quadro de estagnação. E defende que os poderes Executivo e Legislativo prossigam tocando a agenda de reformas, que a entidade considera fundamentais para permitir o crescimento a longo prazo. A Confederação acredita que é preciso prosseguir com ações estruturais que favoreçam a retomada do crescimento sustentado, como a conclusão da aprovação da reforma da Previdência, a reforma tributária, os avanços nas privatizações e o aperfeiçoamento dos marcos regulatórios.

Juntos por mais crédito

Desmotivado por estes indicadores e perspectivas nada favoráveis, o micro e pequeno empresário, responsável por gerar 80% dos postos formais de trabalho no País, ainda encontra grandes dificuldades para acessar de forma digna o mercado de crédito. Muitos esbarram no excesso de exigências e burocracia dos bancos, que direcionam a maior parte de seus recursos a grandes empresas. “Queremos medidas concretas que ajudem o pequeno empresário a sustentar tanto seus negócios quanto a renda de milhares de famílias que dependem dos empregos que geram. Uma das formas com que o Governo pode e deve intervir, além de garantir o cumprimento da agenda de reformas, é fazendo a portabilidade das dívidas que têm travado a economia e influenciando diretamente na diminuição de juros que sobrecarrega quem mais investe no país”, desabafa o presidente da ACIB, Moacyr Felix.

Levantamento realizado pela Boa Vista SCPC mostra que, do primeiro para o segundo trimestre de 2019, subiu de 44% para 48% a intenção dos comerciantes de demandar por crédito. Deste total, 47% pretende utilizar a verba para realizar novos investimentos, 45% irá alavancar seu capital de giro e 8% deve quitar dívidas. “Ou o Governo se movimenta de forma construtiva para injetar ânimo e materializar formas de destravar o peso da estagnação da economia sobre os micros, pequenos e médios empresários deste país ou não teremos forças para manter a roda do mercado girando”, complementa Felix. “A situação é grave, urgente e demanda uma saída estruturada”, finaliza.

  • 22% dos empresários acreditaram que a inadimplência nos negócios cresceria no segundo trimestre, mostram dados da Boa Vista SCPC
  • 42% esperam que ao contratar o crédito, as taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras sejam menores em comparação ao ano anterior
  • 48% dos comerciantes pretendem demandar por crédito no segundo semestre de 2019, revelam dados da Boa Vista SCPC

Moacyr Felix

É presidente da Associação Comercial e Industrial de Barueri (ACIB) e do Rotary Club Barueri Empresarial, vice-presidente da RA4 da Federação da Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) e Conselheiro do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP).

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