O Brasil que a gente não vê

Vejo mais e mais pessoas cansadas do “Brasil do jeitinho”, fazendo ajustes nos seus jeitinhos pessoais

Em 2017 a coisa segue complexa. Mais complexa, talvez, do que nunca. E, como tal, a gente enxerga todo dia os problemas, seja a Lava Jato, sejam as questões econômicas, seja a corrupção que nos parece generalizada. As redes sociais, que ao nos darem um distanciamento das pessoas e portanto nos intimidarem menos do que o contato olho no olho, se tornaram um caldo perfeito para todos os tipos de debates, brigas, exclusões e xingamentos.

A lista de problemas e notícias ruins segue sem fim, o que nos deixa com a sensação de que tudo ruma ao buraco inevitável e inexorável. Será? Como empreendedor, sou otimista. Impossível ser empreendedor sem uma boa dose de otimismo, ou esperança, ou sonho. O empreendedor é aquele que, ao ver o copo pela metade, enxerga o copo meio cheio. O pessimista, contudo, irá sempre pensar no copo meio vazio. E o copo de nosso país? Meio cheio ou meio vazio?

Pelo que descrevi nos primeiros parágrafos deste texto, muitos diriam que o copo do Brasil está mais para o vazio mesmo, nem meio vazio! Mas não vejo assim. Naturalmente sou impactado pela avalanche de notícias ruins, nem tenho outros meios de leitura nem me isolo na não informação, mas tento olhar tudo isso numa perspectiva de maior distanciamento e num prazo maior, e observo coisas que me parecem interessantes. Vejamos. Vejo mais e mais pessoas cansadas do “Brasil do jeitinho” e fazendo pequenos ajustes nos seus jeitinhos pessoais; a coisa da fila dupla na escola dos filhos, as pequenas infrações, o levar vantagem em tudo, com a compreensão de que os problemas são nossos, do nosso dia a dia, e não dos políticos.

Por outro lado, observo também grandes empresários entendendo que “pode dar ruim” e mudando o tradicional modo de fazer negócios no país, historicamente ligado ao rolo, a relacionamentos com governos e a jeitinhos mil, mudando o modus operandi para sair da rota de Curitiba. No universo dos jovens, cada vez mais gente tentando empreender, construir um novo Brasil, sem pensar em governos, Brasília ou em jeitos lobísticos de tirar vantagem em tudo.

E, no geral, nos governos e no povo, vejo o poder da informatização – que rastreia tudo – e das redes sociais – que distribui tudo – causando um enorme estresse daquele Brasil velho, preconceituoso, corrupto, que gosta de levar vantagem sobre o outro e que se sentia impune a tudo, sobre um novo Brasil, mais transparente, mais justo, mais humano e mais bacana.

Podem me ver como um otimista, podem me xingar de obtuso, sei lá, mas vejo, sim, um copo meio cheio, um esgotamento do nosso velho jeito e um clamor por novos formatos, novas regras, nova atitude e novo projeto de país. Olhe bem a sua volta e veja se não há um copo meio cheio para você também!

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