O Brasil que somos ou que queremos?

Vejo cada vez menos gente feliz com a elasticidade da nossa ética, do estacionar em fila dupla ao malandro que leva vantagens. Isso no dia a dia, não na vida política do país

Mais um ano acabou. Escrevo esta coluna no final de novembro para ser publicada no último mês deste ano que a maioria de nós torce faz tempo para que acabe logo. Quem me acompanhou aqui ao longo do ano encontrou um brasileiro otimista, esperançoso, é verdade, mas mais do que isso, encontrou alguém que quer buscar o copo meio cheio. E ele existe.

Para fechar este 2016, pensei em apontar uma lista de copos meio cheios para que ajude você na sua reflexão de final de ano ou, quem sabe, de ano novo. Vamos a eles? Primeiro, quatro pontos bem factuais:

  • O universo de startups no Brasil está explodindo. A quantidade de fundos, de startups e de casas que apoiam a iniciativa empreendedora só faz crescer.
  • O mundo do marketing digital no país segue crescendo a belas taxas. O IAB prevê crescimento de 12% nos investimentos no ano.
  • A área de TI no Brasil também crescerá a taxas bacanas. A ABES diz que o setor deve crescer 3% neste ano (no mundo crescerá 2,4%).
  • O número de novas empresas no país segue crescendo (aumento de 3,5% em 2016 segundo a Serasa/Experian). Óbvio que uma boa parte desse crescimento vem de MEIs e tem a ver com a crise, mas o crescimento tanto de novas empresas como da formalização de microempresários individuais são boas notícias.

E ainda algumas coisas mais subjetivas, da minha observação pessoal:

  • Há uma limpeza geral em curso no país (exageros à parte, questões políticas à parte), e uma coisa que já se observa como resultado positivo disso: empreendedores cada vez mais avessos ao “jeitinho brasileiro”.
  • Empreender – ou seja, decidir seu próprio futuro – não é só uma opção da falta de opção. Torna-se cada vez mais um decisão de vida. Um país que empreende é um país que coloca seu destino em suas próprias mãos.
  • E por fim, um novo olhar do povo para as suas próprias idiossincrasias. Vejo cada vez menos gente feliz com a elasticidade da nossa ética, do estacionar em fila dupla ou furar fila, ao malandro que leva vantagens e se dá bem. Isso no dia a dia, não na vida política do país.

Talvez a ano de 2016, no distanciamento da História, seja um ano de virada, um ano em que os brasileiros se cansaram de seu próprio jeito e, mesmo com crise, aos trancos e barranco, começaram a mudar. Há crises que vêm para o bem. Feliz 2017 para você.

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