Bob Wollheim: “O melhor do Brasil é o brasileiro”

Vivemos momentos intensos, seja economicamente, seja politicamente e diria até que, principalmente, sob a ótica do que somos como ovo

Escrevo depois de o Brasil vencer a Alemanha no futebol na Olimpíada e nos redimirmos (um pouco) daquela coisa esquisita que foi a Copa pra nós. Imagina se tivéssemos perdido no futebol, talvez meu texto fosse num outro tom ou talvez você lesse ele de uma forma diferente. Isso não importa muito, é verdade, nem sou muito fanático por futebol ou esportes, mas o fato é que fizemos uma Olimpíada épica e ganhamos ouro no futebol. Pra gente isso muda muita coisa. Essa Olimpíada tem nos feito ver um outro Brasil, que sabe fazer um evento mundial de forma muito bacana (perfeita só existe na nossa cabeça de vira-latas que acha que as coisas fora daqui são perfeitas) e que tem gerado momentos de percepção de como somos um país interessante!

Sergio Moro da Lava Jato é outro que nos dá orgulho todo dia (óbvio que há excessos e exageros) por estar – finalmente – limpando um Brasil corrupto secular mas… quantos de nós não nos pegamos em nossas pequenas corrupções do dia a dia e pensamos como o país vai sair disso se nós mesmo não sairmos? E muitos ainda nem sequer se atinam pra isso. Gritam e apoiam a limpeza mas se esquecem de que se não se autolimparem, o país não muda!

As redes sociais nos mostram a nossa cara. Dá vergonha alheia em muitos momentos, mas deixamos de nos ver estereotipadamente no Fantástico, o show da vida (não vejo TV aberta há três décadas, não sei se esse slogan ainda existe) do domingo, com a sensação de que aquilo são “os outros”, para nos vermos todo dia, presenciando nossas idiossincrasias, belezas e, enfim, entendendo quem somos como povo! Somos isso. Fanfarrões, de bem com a vida, meio caricatos, alegres, pouco organizados e sistemáticos, mas, acima de tudo, curtimos o que temos, seja muito, seja nada!

A crise econômica (da política eu falo abaixo) está nos confrontando com um país atrasado, com profissionais atrasados, burocráticos ao extremo (é simples culpar os governos, mas os governos somos nós, penso que se trata de algo cultural mais profundo em nós), ineficientes, pouco produtivos e quase nada inovadores e, em alguns casos (menores), como pequenos pilantras que roubam a empresa em que trabalham e fazem pequenas trapaças diárias por um ganho pessoal maior.

E tudo o que estamos vivendo no âmbito político desde FHC e Lula nos faz pensar no que queremos, quem são (somos) nossos políticos, por
que persistimos em roubar nosso próprio futuro (não só os políticos, afinal, nós os colocamos lá), por que preferimos a ética mais elástica (uma pra gente e outra pros outros), porque mantemos o nosso país como o eterno país do futuro (que nunca chega). Tudo isso me parece estar colocando o Brasil em xequemate! Sejam os políticos, sejamos nós, os brasileiros. E acho isso ótimo. E já vejo efeitos muito positivos de tudo o que está acontecendo. Quer ver?

Mais e mais empreendedores querendo empreender sem “jeitinho”. Mais e mais pessoas buscando evitar os pequenos crimes diários, tipo o acostamento, a fila dupla, o furar fila. Mais e mais leitores entendendo que a mídia mostrará sempre a pior versão. Mais e mais gente entendendo quem somos de fato. E mais e mais gente orgulhosa do nosso país. Afinal, o Brasil é um grande lugar pra se viver, e o que temos de melhor somos nós, brasileiros. Tá na hora de assumir isso, se orgulhar disso e fazer do Brasil o país do presente!

Compartilhe
Escrito por
Leia mais de Bob Wollheim

O Brasil que boa parte do Brasil não vê

Tem um mundo de coisas bacanas acontecendo no nosso país neste momento....
Read More

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *