O que pensam algumas instituições sobre o futuro da educação

Quais os principais desafios na formação dos cidadãos? Como educar crianças em tempos de extremismo? E a reforma do ensino médio, o que esperar? A VERO conversou com educadores para entender melhor!

De acordo com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, a instituição busca aproximar família e aluno para participar efetivamente dos problemas da escola. “Acreditamos que isso vai ajudar o aluno a enfrentar a sociedade no futuro”, explica Keise Cristina Portela dos Santos, diretora regional da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Por aqui, a Secretaria Regional de Educação atende os municípios de Barueri, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus. Ela atua com intenção de fiscalizar e orientar a condição das funções administrativas e pedagógicas das redes estadual e particular, mas não da municipal. Em geral, em todos esses municípios, ela supervisiona o ensino médio, à exceção de Parnaíba, que já municipalizou todo o ensino fundamental e médio. Por isso, segundo Keise, o desafio é ainda maior. “Temos que gerenciar uma série de realidades que são muito diversas.

E como lidar com realidades tão diversas? Temos ações específicas pra falar sobre a mulher, a homofobia e outros assuntos polêmicos”, conta. “Nosso ponto central tem sido usar tecnologia também para a capacitação de professores, com cursos a distância.” Em relação à reforma, ela diz: “A Secretaria é pioneira. Há cinco anos demos o pontapé inicial em relação ao período integral. Na nossa região, são cinco escolas com ensino médio integral. Em Alphaville, o Leonor de Barros é uma delas.

O que dizem as escolas da região: 

diretora do Colégio Mackenzie
Vera Maria Alves Mendes, diretora da educação básica

Em primeiro lugar, a formação de cidadãos é responsabilidade da família; em seguida, da escola, onde a criança e o jovem passam grande parte do tempo. Acreditamos que cada vez é menos questionável na sociedade essa posição, que, aliás, é constitucional.

Existe uma tendência à superproteção por parte dos pais, e é na escola que isso aflora. Os pais não querem que os filhos sofram. Na outra ponta, temos os pais ansiosos – e a atual situação social e econômica do país justifica em parte essa atitude – procurando proporcionar aos filhos uma formação ímpar, para que eles tenham mais oportunidades num mundo cada vez mais competitivo. Essa preocupação tem começado cada vez mais cedo e está sobrecarregando crianças e adolescentes, às vezes, com consequências graves, principalmente com relação à saúde.

Antigamente, formar-se na faculdade era um ideal de vida, um objetivo que pais almejavam para os filhos. Hoje vemos jovens cursando duas, três graduações, pós no exterior, mestrado, doutorado… Buscando a especialização da especialização. Mas tudo depende da carreira profissional a escolher. Há carreiras que simplesmente não requerem formação em curso superior. O empreendedorismo é trabalhado desde cedo no Mackenzie, e não raro vemos adolescentes que querem dedicar-se logo a um negócio particular e não cursar universidade. Os cursos de nível superior tendem a mudar, como tudo na educação. Hoje há mais oferta de cursos a distância.

De certa forma, a reforma vem atender à demanda da escola pública, principalmente pela ampliação da carga horária. Desse modo, podemos vislumbrar uma “luz no fim do túnel”, exigindo maior tempo de estudos a muitos adolescentes e possibilitando aprendizado mais consistente.

A questão da capacitação de professores no país é séria; entramos num círculo vicioso em que os professores mal formados não conseguem formar os alunos. Cabe à escola oferecer formação à equipe docente, visando desenvolver competências técnicas e socioemocionais.

Ana Cláudia Mesquita Chiocarello Favano
Ana Cláudia Mesquita Chiocarello Favano, gestora da escola

Família e escola devem caminhar juntas e se apoiar nessa formação dos cidadãos. A escola é responsável pela formação moral de seus alunos. Obviamente, isso não anula toda a bagagem e valores que eles já trazem de casa e irão carregar em suas vidas. Os valores familiares são de responsabilidade dos pais, e cabe à escola trabalhar com toda essa diversidade cultural e ensinar a cidadania.

Toda geração considera que a geração mais nova é mais difícil de se lidar, vem aquele saudosismo: na minha época não era assim… Na verdade, os valores morais continuam os mesmos, o que muda são os outros valores que acabam surgindo e cultuados como mais importantes; hoje vemos alguns deles, como o das celebridades, o aparecer, a vaidade, o imediatismo e o individualismo. Os valores que os jovens têm hoje são os valores da sociedade. É necessário darmos oportunidades para que valorizem outras coisas.

Existe uma tendência à superproteção, e isso é natural aos pais. Desde que não se torne exagerada. Por exagerada, digo que é necessário entender que nossos filhos precisam passar por algumas frustrações na vida para poderem entender o que se pode fazer para superar adversidades inevitáveis. Se queremos ter filhos responsáveis e cidadãos do mundo, teremos de nos segurar e deixá-los passar por alguns conflitos e decidir por si mesmos.

A proposta do novo ensino médio é, talvez, a melhor em décadas, caso seja possível sua operacionalização e implantação – eis aí a maior dificuldade. Acho bem inteligente a ideia de trazer integração com o ensino técnico; isso torna o estudo mais instigador e inspirador e leva os alunos a escolher o que de fato lhes desperta mais interesse. A disparidade entre a escola pública e a privada, no entanto, vai continuar ainda por muito tempo; infelizmente não temos muito interesse, por parte dos governos, de investimento real na educação. Creio que também é necessária uma reforma no ensino básico e nas universidades.

Acredito muito no ensino superior e acho que ele faz diferença para muitas escolhas profissionais. Algumas escolhas não necessitam de universidade. Muitos empreendedores não as cursaram.

Vania Marincek, diretora da unidade Granja Viana,
Vania Marincek, diretora da unidade Granja Viana

A formação dos futuros cidadãos não pode ser tarefa de uma única instituição. Família e escola precisam estar juntas. Nos dias de hoje, é comum que as pessoas passem para terceiros as atribuições que devem desempenhar, e não tem sido raros os movimentos de escolas que, no intuito de desonerar os pais de tarefas da rotina, acabam por retirar da função familiar ações extremamente importantes de cuidado das crianças.

O mesmo movimento de passar para outros os cuidados e responsabilidades que deveriam ser dos pais acaba por gerar insegurança generalizada que se traduz em excesso de preocupações com as crianças. Aparece o medo. Medo de acidentes imaginados, medo de violência, medo de frustrações, medo de tudo. Ao mesmo tempo, há uma pressa, uma exigência em se fazer tudo certo e da primeira vez. Não há espaço para o erro. Isso, apresentado às crianças ainda muito pequenas, pode, sim, sobrecarregá-las, fazê-las sentirem-se com um peso extra e incapazes de não corresponder a essa expectativa dos pais. Cabe também à escola ensiná-los a reconhecer seus erros e a reconhecer que, a partir deles, se pode aprender, e muito.

Na nossa sociedade sempre existiram posicionamentos radicais e pouco abertos ao outro; me parece que são ciclos em que um tipo de pensamento se sobrepõe a outro em determinados momentos históricos. A escola também precisa oferecer um ensino que valorize a diversidade, que mostre que não há uma forma única de se viver no mundo, que ensine os alunos a serem tolerantes com as diferenças e que reconheçam valor na heterogeneidade.


Helena Mendonça, coordenadora de tecnologia educacional

→ Quando falamos em tecnologias digitais e educação, temos que levar em consideração que muitas práticas sociais mudaram. As formas de participação social contam com outros espaços de atuação, e os espaços de aprender também passam por sites, redes sociais, ambientes de aprendizagem institucionais e outros. Temos que planejar ações nas quais os alunos possam se colocar, ouvir os colegas e aprender a lidar com esse universo.


 

Susane Lancman, coordenadora pedagógica do ensino médio
Susane Lancman, coordenadora pedagógica do ensino médio

→ A necessidade de reforma do ensino médio é um fato. A dificuldade é discutir e acordar o que reformar e como reformar. Ainda há muito a compreender, porque ela está atrelada à base nacional comum curricular, que ainda não foi determinada. Além disso, há muitos pontos obscuros. Sem dúvida é preciso superar o ensino enciclopédico, em que o objetivo é perpassar uma lista infindável de conteúdos conceituais. Um dos aspectos polêmicos da reforma é a sua relação com os exames dos grandes vestibulares. Como reduzir ou modificar os conteúdos se os exames serão os mesmos? A proposta de flexibilização da grade curricular com até cinco percursos diferentes vai depender das possibilidades da escola. É possível que o aluno queira um percurso que a escola não ofereça, obrigando-o a mudar de escola ou, em alguns casos, de cidade. As escolas públicas têm mais fragilidades pedagógicas, econômicas e de infraestrutura do que a escola particular. E é possível que haja mais problemas para efetivarem a reforma.

O Brasil gasta em torno de 3.000 dólares por ano na escola básica, enquanto outros países chegam a investir mais de 8.000 dólares, o que faz sem dúvida muita diferença na qualidade da educação. Especificamente, no caso de formação continuada de professores, é preciso investir em cursos que possibilitem ao professor compreender melhor como se dá o processo de aprendizagem do aluno, assim ele pode planejar e executar boas situações de ensino, gerando aprendizagem significativa.

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