Queda nos lucros: os bancos em xeque?

26/06/26 |
vero

Com inadimplência em alta e lucros pressionados, bancos vivem momento de seletividade – não de colapso, aponta economista

Charles Mendowicz é economista, sócio da consultoria financeira Ticker Wealth, em presa de planejamento financeiro e investimentos, e fundador do canal Economista Sincero, no qual analisa cenários macroeconômicos, mercados globais e geopolítica.

O SETOR bancário brasileiro, histórico por sua solidez, acendeu o sinal de alerta. Com o recente recuo conjunto nos lucros das maiores instituições, investidores passaram a temer pelo futuro dos “bancões”, motivando a saída de capital estrangeiro. No entanto, o momento exige cautela. Tem muito investidor preocupado com a queda, mas é preciso ter calma para entender se é algo momentâneo ou estrutural.

O PESO DO CRÉDITO CARO E DO CALOTE
A desaceleração econômica, a Selic elevada e o endividamento das famílias formaram a tempestade perfeita para a inadimplência. O brasileiro está sem dinheiro, então é óbvio que ele acaba não pagando as suas dívidas. Para se protegerem, Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa acumularam R$ 51,3 bilhões em provisões no 1º trimestre de 2026. O risco de calote entrou no radar.

Se o banco está com medo, “puxa” o tapete do cliente.

DESEMPENHOS ASSIMÉTRICOS
Apesar do cenário desafiador, os resultados recentes revelam forte assimetria entre as instituições, exigindo análise caso a caso:

Itaú e Bradesco: foram os destaques positivos. O Itaú lucrou R$ 12,33 bilhões no trimestre (+10,4% ante 2025), impulsionado por investimentos em tecnologia. O Bradesco lucrou R$ 6,8 bilhões (+16%), colhendo os frutos de uma nova gestão.

Santander: ficou estável, com leve recuo de 1,9% (R$3,79 bilhões).

“Tem muito investidor preocupado com a queda, mas é preciso ter calma para entender se é algo momentâneo ou estrutural

Banco do Brasil: foi a “bomba” do trimestre, caindo 53,5% no lucro (R$ 3,4 bilhões). Tem sido um triturador de rentabilidade.

Fora dos tradicionais, o BTG Pactual saltou 42,3% no lucro, enquanto o Nubank (US$ 871,4 milhões) ficou abaixo do esperado pelos analistas.

O FIM DOS “BANCÕES”?
Eu descartaria o colapso do setor e vejo as quedas nas ações como oportunidades para o longo prazo, com foco em dividendos. Sigo otimista. Não acho que vá acabar. Acredito, sim, que o Banco do Brasil é que está “puxando” o resultado das demais instituições.

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