Ricardo Amorim: “Talvez”

Imagine que não exista carteira de trabalho, nem Justiça Trabalhista? Quem iria querer trabalhar e morar em um país assim? Quase todo mundo

Imagine um país em que não haja limitações à terceirização do trabalho nem de atividades-meio, nem de
atividades-fim. Imagine que, nele, homens e mulheres só possam se aposentar após os 67 anos de idade
e que, depois de aposentados, recebam em média menos da metade do que ganhavam enquanto trabalhavam. Meia-entrada para idosos não existe lá.  Imagine que neste país não existam 30 dias de férias remuneradas. Imagine que os empregados tenham de negociar com os patrões quanto tempo terão de férias e se elas são remuneradas ou não. Adicional de férias não existe por lá. Imagine que 13º salário também não exista.

Imagine que mulheres grávidas só tenham direito a 12 semanas de licença-maternidade e que, durante
o período de ausência, elas não sejam remuneradas. Imagine que os patrões possam negociar com os empregados se eles vão trabalhar em finais de semanas ou feriados nacionais. Adicional noturno, por
horas extras, trabalho em finais de semana ou feriados não existem.

Imagine que não existam faculdades gratuitas, nem meia-entrada para estudantes em cinemas, shows,
teatro ou outros espetáculos. Imagine um país onde ninguém tenha estabilidade no emprego, nem os
funcionários públicos. Imagine um país onde não exista FGTS, muito menos adicional de 40% em caso de demissão sem justa causa. Imagine que nele os trabalhadores não tenham um limite no número de horas que podem trabalhar. Seus patrões e eles podem combinar o que quiserem. Imagine que o salário mínimo por lá fique 11 anos sem nenhum reajuste.

Imagine que não exista carteira de trabalho, nem Justiça Trabalhista. Quem iria querer trabalhar e morar em um país assim? Quase todo mundo. Esse país existe. Ele se chama Estados Unidos, e seu presidente está se esforçando para impedir a entrada de milhões e milhões de trabalhadores de outros países que a cada ano querem ir trabalhar lá. Com regras assim, como tanta gente arrisca a vida e tantos outros se mudariam para lá neste exato segundo se pudessem? Talvez porque, por essas e outras razões, os preços e a inflação sejam muito menores do que aqui, a taxa de desemprego seja um terço da nossa e as pessoas ganhem, em média, sete vezes mais do que aqui? Talvez…

Compartilhe
Escrito por
Leia mais de Ricardo Amorim

Ricardo Amorim: “A recessão acabou. Mesmo?”

O impacto que a economia terá na vida das pessoas ao longo...
Read More

COMENTÁRIOS

  • Green for a win, yellow for a draw, red for defeat. It’s the wall chart in Tony Mowbray’s Middlesbrough office, a colour-coded guide to his team’s season so far. Mowbray looking to go green at Upton Park

    https://bit.ly/2S3sXus

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *