Ricardo Cancela: “A imagem do seu criador”

Vamos analisar o que de fato a indústria está desenvolvendo para que os androides um dia possam se parecer com o “Synth” da série “Humans”

Sophia, a primeira robô da história a ter cidadania oficial

Dando continuidade ao artigo “Quem está copiando quem”, sigo em mais dados sobre como as séries de televisão estão bem alinhadas com o que está sendo desenvolvido nos laboratórios e pela indústria de tecnologia. Desta vez trago como base a série “Humans”, escrita pela dupla britânica Sam Vincent e Joanthan Brackley. Ela é baseada na premiada e reconhecida série dramática de ficção científica sueca chamada “Real Humans”, onde a mesma explora o impacto emocional que chega à sociedade quando os limites entre os humanos e as máquinas começam a desaparecer.

Esta série se desenvolve nos subúrbios de Londres, apresentando uma realidade paralela onde a última novidade tecnológica que todas as famílias possuem ou precisam ter é um “Synth”, um servente automatizado, desenvolvido com a mais moderna e sofisticada tecnologia de inteligência artificial de aspecto similar a um humano – um androide. Agora que entendemos um pouco mais da série, vamos analisar o que de fato a indústria está desenvolvendo para que os androides um dia possam se parecer com o “Synth” da série.

Vamos começar analisando como podemos medir a capacidade de consciência de uma inteligência artificial. O matemático britânico Alan Turing criou o chamado “Teste de Turing” na década de 50, que determina se uma máquina é inteligente o suficiente para passar despercebida numa conversa. Dentre várias iniciativas no mundo relacionadas à inteligência artificial, destaco o Google Duplex, apresentado recentemente. Em fase de testes, ainda não foi auditado externamente, e aparentemente conseguiu este feito definido pelo teste de Turing. Seguindo o mesmo raciocínio, compartilho a visão de Ginni Rometty, atual Chairwoman da IBM. Para ela, na próxima década, toda decisão importante, profissional ou pessoal, poderá ser feita com a ajuda do Watson do IBM, que é uma plataforma que utiliza tecnologias de inteligência artificial e aprendizado de máquina.

Com base nestes dois pontos, vamos voltar para o filme e imaginar estas tecnologias embarcadas num androide e provavelmente teremos uma ficção se tornando uma realidade! Agora, para se parecer com o “Synth” da série, precisamos compor o androide de pele e capacidade de tato. A sensibilidade tátil ainda está ausente nos androides. Estas tecnologias estão sendo desenvolvidas por cientistas norte-americanos da Universidade de Berkeley. Elas são compostas por milhares de semicondutores sensíveis, capazes de identificar diversos níveis de pressão. Isso permitiria que os androides segurem desde objetos frágeis, como um ovo ou mesmo o toque de uma borboleta, até outros mais pesados.

Numa mesma linha destaco o trabalho que está sendo desenvolvido pela equipe de Dae-Hyeong Kim, professor da Universidade Nacional de Seul, que permitirá em breve que os androides tenham tato através de um polímero preenchido por uma rede de sensores formados, basicamente, por ouro e silício, que poderá esticar tanto quanto uma pele humana. Ela possui, em média, 400 sensores por milímetro quadrado, permitindo sensações até mesmo com a ponta de um dedo da prótese.

Agora que já falamos sobre consciência, pele e tato, vamos falar sobre músculos, que permitiriam movimentos mais parecidos com os nossos, tornando-os assim mais cooperativos, menos arriscados para os trabalhadores, mais macios e operando mais suavemente. Estes músculos estão sendo desenvolvido pela equipe do professor George Whitesides, da Universidade de Harvard, que estão trabalhando na criação de mãos robóticas até tentáculos robóticos flexíveis, capazes de agir com delicadeza sem perder a força. Ao contrário de sistemas similares pneumáticos, este projeto utiliza ar comprimido para se expandir, contraindo o novo músculo artificial quando o ar é retirado do sistema, tendo um elastômero com câmaras ocas que lembram favos de mel. Através destas estruturas com câmaras será possível ajustá-las para gerar um movimento linear, rotativo, de curvatura ou movimentos combinados, permitindo a criação de um músculo artificial de borracha que gera movimento de forma similar aos músculos biológicos.

Do outro lado do mundo, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Tóquio, liderada pelo professor Shoji Takeuchi, desenvolveu com sucesso um robô que utiliza músculos reais que ao unir células musculares cultivadas em laboratório a ossos feitos de plástico, apoiadas por correntes elétricas precisas, permitiu contrações automáticas. Olhem que fantástico!

Agora some todas estas características a mobilidade, que é essencial para que os androides possam andar e correr igual a um ser humano. Neste quesito trago a Boston Dynamic, que é uma das empresas mais bem reputadas no setor da robótica e especializou-se no desenvolvimento de mecanismos de mobilidade para robôs. Ela foi pioneira na criação de técnicas de evasão de obstáculos e de adaptação constante ao terreno. Marc Raibert, CEO e fundador da Boston Dynamics disse: “Nós, na Boston Dynamics, estamos bastante animados com a ideia de fazermos parte das perspectivas visionárias da SoftBank Japonesa e de nos beneficiarmos com a sua ambição de querer iniciar a próxima revolução tecnológica”. Para se ter ideia, o robô atlas da Boston, agora SoftBank, é capaz de correr igual a um ser humano. A tecnologia é tamanha que inclinações e galhos sequer atrapalham a corrida de Atlas!

Finalizo destacando o androide Sophia, a primeira robô da história a ter cidadania oficial em um país – Arábia Saudita. Ela utiliza uma pele artificial chamada Frubber, que é à base de silício, com 62 arquiteturas no rosto e no pescoço e câmeras nos olhos, que permitem o reconhecimento facial e o contato visual.

Em breve teremos androides com a aparência e a capacidade motora similar a um ser humano. Todos os dados são públicos.

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