Ricardo Cancela: “O que são cidades inteligentes?”

Adequa-se ao conceito de cidade inteligente quando o projeto alcança um plano de retroalimentação econômica, cumpre seu papel de aprimoramento urbano, gera receita, serviço e benefício

A cidade de Songdo, na Coréia do Sul, é um dos exemplos de cidades inteligentes no mundo

Muito se fala sobre cidades inteligentes no mundo e aqui no Brasil, inclusive virou cartilha política de quem está no governo ou mesmo até quem deseja concorrer a um cargo público, porém nota-se uma desinformação total sobre o tema ou mesmo um precipício gigantesco entre o que está sendo feito para o que deveria de fato estar sendo realizado no Brasil.

Há apenas 200 anos, as cidades de Londres, Tóquio e Pequim tinham mais de um milhão de habitantes e hoje estamos com mais de 400 metrópoles que bateram os sete dígitos, e como consequência mais da metade da população mundial já vive em centros urbanos e, segundo estimativas da ONU, até 2030, esse percentual deve subir para 70%. Com tanta gente aglomerada surgem problemas cada vez maiores e caóticos no trânsito, segurança pública, comunicação, sinalização, poluição, energia, falta de moradia, saneamento básico, acesso à saúde e muito mais.

Visando encontrar soluções para temas como estes, nasceram projetos baseados na criação de cidades inteligentes, permitindo ativar áreas urbanas ou reaproveitá-las de forma a gerar arrecadação para o meio público com contrapartidas para a população, colocando as pessoas no centro do desenvolvimento, incorporando tecnologias na gestão e utilizando estes elementos como ferramentas para formação de um governo eficiente. Áreas urbanas ativadas melhoram as receitas turísticas, causam queda da violência e abrem naturalmente espaços para um novo ciclo de empreendedores capazes de propor ou mesmo desenvolverem tecnologias para melhorar a infraestrutura urbana e a qualidade de vida.

Um dos melhores exemplos vem de Songdo, na Coréia do Sul, que é considerada uma aerotrópole, expressão usada pelos urbanistas para designar as cidades planejadas que crescem em torno de um aeroporto. O jornal britânico “The Guardian” a classificou como a primeira cidade inteligente do mundo, recebendo o slogan de “A três horas e meia de um terço da população mundial”, e com uma expectativa de que até 2020 sejam 250 000 moradores.

Várias opções de mobilidade e a disseminação de espaços verdes foram consideradas durante seu planejamento, inclusive sensores subterrâneos que detectam as condições de tráfego e reprogramam os semáforos sempre que necessário. Um lago e um canal foram criados e são abastecidas com água do mar visando manter a umidade sem sacrificar a água potável e são usados também como via de transporte para táxis aquáticos. Foram construídos 25 quilômetros de ciclovias de forma a ligar os principais pontos da cidade, facilitando a ida dos adeptos do transporte de duas rodas. Foi desenhado um sistema pneumático de gestão de resíduos que se espalha por toda a cidade, eliminando a necessidade de coleta de lixo e aliviando o trânsito.

Outro exemplo de iniciativa inteligente vem de Copenhague, na Dinamarca, que reduziu o uso de combustíveis fósseis, tornando-se bicampeã no ranking de cidades inteligentes da Europa, onde metade da população usa bicicletas para chegar ao trabalho.

A cidade de Santa Ana, que possui mais de 350 mil habitantes, foi apontada como um modelo para o restante dos Estados Unidos pela solução conhecido como micropurificação, que é uma alternativa ao processo de dessalinização da água do mar, permitindo que todos os domicílios recebam água tratada.

Em Amsterdã, Holanda, identifiquei itens superinteressantes, como o Drive Carefully, que alerta motoristas quando estão dirigindo perto de uma escola para que reduzam a velocidade. Além disso, várias moradias foram adaptadas com isolamento eficiente para reduzir gastos de energia, implementando interruptores de luz de escurecimento automático, medidores inteligentes de energia elétrica e lâmpadas LED de consumo ultra baixo.

Na atualidade, o mais ambicioso projeto nesta linha de cidades inteligentes é Masdar City, com destaques em construções que não emitam CO2, sendo referência mundial de gestão sustentável, recebendo investimentos como um todo na ordem de US$ 22 bilhões pelo governo de Abu Dhabi, auxiliando no desenvolvimento de projetos de energia solar, sistema de trânsito rápido, transporte elétrico e muito mais. Este mercado tem um potencial bilionário em todo o mundo, sendo uma oportunidade magnifica aqui no Brasil.

Com mais com 1,8 milhões de habitantes, Curitiba é uma das cidades mais verdes do país, com 70% dos resíduos produzidos pelos habitantes sendo reciclados, inclusive incentivado pelo programa Câmbio Verde, criado pela prefeitura, onde a população pode trocar seu lixo reciclável por frutas e verduras frescas.

Outro belíssimo exemplo brasileiro é um projeto de ativação de esquinas inteligentes, elaborado pela Smart Corner, uma startup com proposta de reestruturar o uso dessas áreas a partir de tecnologias voltadas para beneficiar as micro economias locais, gerando uma enorme diferença na forma como a cidade se comunica, criando uma rede de negócios que acarreta em benefícios para a população e, principalmente, para a recuperação econômica do meio público e das receitas familiares, gerando empregos locais e oportunidades de negócios, usando a cidade como um networking vivo, onde qualquer serviço ou produto pode alcançar o seu objetivo.

Esse desenvolvimento adequa-se ao conceito de cidade inteligente, a partir do momento em que o projeto alcança um plano de retroalimentação econômica, cumpre seu papel de aprimoramento urbano, gera receita, serviço e benefício, mas principalmente permite que a cidade personifique sua própria identidade para o resto do mundo.

Por fim, “Soluções tecnológicas para cidades estão sendo criadas em todos os cantos do mundo, por pequenas empresas e indivíduos a multinacionais e governos”, afirma Anthony Townsend, diretor de pesquisa do Instituto para o Futuro, em Palo Alto, Vale do Silício.

Todos os dados são públicos.

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