Ricardo Cancela: “Quem agora está copiando quem?”

No filme Anon: cenas magníficas, tecnologias futuristas, tudo embarcado num grande enredo, e logo me deparei com algo inusitado, filmes copiando tecnologias que já estão em desenvolvimento hoje

Costumamos achar que a vida copia os estúdios de cinema em suas mais variadas projeções futuristas, porém há alguns dias me deparei com o filme Anon, produzido pela Netflix – confira algumas dicas do que assistir aqui – e dirigido pelo roteirista neozelandês Andrew Niccol, o mesmo que fez “Gattaca” e “O Senhor das Armas”.

Cenas magníficas, tecnologias futuristas, tudo embarcado num grande enredo, e logo me deparei com algo inusitado, filmes copiando tecnologias que já estão em desenvolvimento no mundo real! Sempre acreditei no inverso!!

Querem saber mais e quais são essas tecnologias embarcadas no filme? Antes de contar vamos entender o enredo do filme.

Entenda o filme Anion

Este novo suspense futurístico se passa num mundo sem privacidade ou anonimato, onde as vidas são transparentes, rastreáveis e gravadas pelas autoridades e o crime quase não existe mais, porém eis que acontece uma série de assassinatos, e assim o detetive Sal Frieland, estrelado por Clive Owen, sai em sua busca por respostas e acaba encontrando uma jovem conhecida somente como “A Garota”, estrelada por Amanda Seyfried. Ela não tem identidade nem história e é invisível para a polícia e para todos.

Agora que entendemos um pouco mais do enredo, vamos trazer a tona tecnologias às quais identifiquei que estão embarcadas no filme e na sequencia vamos compara-las com as tecnologias que estão sendo aprimoradas ou mesmo estão sendo desenvolvidas por grandes empresas na atualidade.

Tecnologias

Lentes subcutâneas capazes de gravar e rever cenas gravadas ou mesmo identificar ou realizar pesquisas através de uma comunicação direta por intermédio de um dispositivo que consegue compreender palavras ditas, sem que as pessoas vocalizem, a chamada subvocalização, podendo ainda realizar chamadas de áudio e vídeo sem nenhuma interação, englobando interfaceamento com holografia, tudo integrado a vários dispositivos subcutâneos (insideables), apoiados integralmente dentro de uma linha de realidade aumentada, permitindo que cada ser humano identifique todos os objetos e elementos ao seu redor, interagindo com eles, tudo armazenado na nuvem.

Trazendo para a vida real, a primeira inserida nos olhos de todos os seres humanos no planeta terra, desde seu nascimento, onde tudo em sua volta é gravado, em tempo real, independente da vontade da pessoa, em tese já é uma patente da Sony, capaz de gravar como projetar vídeos. Estas lentes de contato são pequenas câmeras que gravam tudo que você vê e permite que você assista as experiências que viveu quantas vezes desejar.

Estas novas lentes de contato previstas pela Sony possuem um componente que permite “saber” quando você está piscando deliberadamente e não de forma natural e involuntária.

A lente da Sony grava as imagens em um dispositivo de armazenamento interno, permitindo acesso mais fácil e mais rápido das gravações.

A patente da Sony possui tecnologia sofisticada, utilizando-se de sensores piezoeléctrico que convertem energia mecânica em energia elétrica, onde os movimentos dos olhos são lidos por esses sensores para ativar a câmera ou as gravações.

A bateria deste patente é recarregada via indução eletromagnética, o que significa dizer que uma corrente elétrica será produzida por um condutor móvel através de um campo magnético.

A lente da Sony também terá capacidade de ajustar-se aos olhos do usuário e utilizar o foco automático no caso de imagens embaçadas.

É claro, esta lente da Sony ainda esta em fase inicial.

É perceptível identificar itens que vão além do filme em relação a patente da Sony, às quais identifiquei num outro Projeto ligado a IBM.

Agora vou me atrever e incluir as funcionalidades deste projeto da IBM para completar a lente do filme. A IBM pretende lançar até 2022 esta lente. Novamente, lá estou eu querendo me intrometer no enredo desenvolvido por outros!

Tal como nossos ouvidos, que são capazes de ouvir determinadas ondas sonoras, os nossos olhos também só podem enxergar raios de luz específicos. Justamente com esta visão cientistas da IBM estão empenhados em trazer nos próximos cinco anos, tecnologia portátil que permitirá enxergarmos diferentes comprimentos de onda de luz.

Estas lentes, com sensores e câmeras de hiperimagem ajudarão motoristas a enxergarem melhor na estrada em situações de neblina ou de chuva, e como um raio-X identificarmos impurezas e bactérias em frutas e legumes, como também realizar a análise de imagens para já informar o valor nutricional de cada refeição.

Agora que quase completei as funcionalidades da lente indicadas no filme, fui procurar num projeto da Microsoft outro componente, que sempre foi retratada nos filmes de ficção científica e nunca serviram para um propósito além de “de algo interessante”, a holografia!

Uma vertical de pesquisas da Microsoft parece ter chegado mais longe, combinando uma série de componentes para criar uma interface holográfica que permite interação.

Chamado de HoloDesk de filmes de ficção cientifica, a Microsoft está desenvolvendo o HoloLens, que beira a linha do inimaginável, com a capacidade de reproduzir som de forma uniforme e em todas as direções, permitindo que a pessoa possa ouvir até mesmo o áudio reproduzido holograficamente em suas costas.

Completando a lente do filme, trago ainda outro componente, que escrevi em outro artigo, intitulado de AlterEgo, que está em fase avançada e foi desenvolvido por pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e que é capaz de prover a comunicação proposta pelo filme entre nossa mente e  as tecnologias indicadas no filme através da chamada subvocalização.

Agora imaginem todas estas tecnologias conjugadas numa única lente e ao seu redor. Parece impossível? Não! E olha que nem trouxe a tona os elementos de Biohacking trazidas no filme.

Por fim, estamos mais perto destas realidades do que nunca, em toda a nossa história de humanidade.

Todos os dados são públicos.


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