Senta, porque precisamos conversar

É cada vez mais rara a conversa construtiva, que revela afinidades, gera conforto e cria a boa parceria

Ter empatia é se identificar com outra pessoa, sentir o que ela sente, colocar-se no lugar de quem não é você. O Brasil tem a reputação de ser um país de povo simpático, generoso, sempre disposto a ajudar. De acordo com pesquisa da Universidade de Michigan, no entanto, a realidade é um tanto diferente. Num ranking de 63 países, obtivemos um modesto 51º lugar. Falta-nos empatia, entre outros motivos, porque a sociedade reduziu a qualidade da conversa. Se conversamos mal, desmotivamos equipes, perdemos oportunidades de negócio, afastamos amigos e tropeçamos em nossos relacionamentos afetivos.

Hoje em dia, trememos de medo quando o chefe ou o cônjuge pronunciam a frase fatal: “Precisamos ter uma conversa”. Isso ocorre porque a tal conversa quase sempre se converte em recriminação, cobrança, bronca, lição de moral ou anúncio de rompimento. Ao mesmo tempo, é cada vez mais rara a conversa construtiva, que revela afinidades, gera conforto e cria a boa parceria. Poucos estão realmente dispostos a ouvir. Muitos procuram desesperadamente refutar a opinião do interlocutor, expor argumentos e defender uma tese.

A escritora e radialista norte-americana Celeste Headlee, recentemente, elencou dez conselhos para quem pretende conversar melhor. Vou resumi-los.
1. Não seja multitarefa. Deixe o celular de lado. Esteja presente.
2. Não dê lição ou sermão. Se quer se expressar sem contestação, escreva em um blog. Você sempre pode aprender
algo com o outro.
3. Faça perguntas abertas, que permitam ao interlocutor pensar no assunto e dizer o que sabe.
4. Deixe fluir e se mantenha no contexto. Por vezes, cortamos o assunto para fazer uma pergunta previamente imaginada.
5. Se não sabe, diga que não sabe.
6. Evite comparar sua experiência com a do interlocutor. Não use o momento para provar o quanto você é fantástico ou o quanto tem sofrido.
7. Não seja repetitivo. Se você precisa repetir demais, sua ideia não está clara.
8. Evite a perda de tempo com detalhes. Numa conversa, as pessoas não ligam muito para datas, nomes, referências geográficas. Elas estão interessadas na história.
9. Ouça. Pode ser difícil, mas tente prestar atenção no outro. Hoje preferimos falar, porque nesse momento estamos no controle.
10. Seja breve. Não enrole.

Essas dicas valem para tudo na vida, para o desenvolvimento de uma carreira, para a conquista da pessoa amada ou para o estabelecimento da harmonia no ambiente familiar. Tente, pratique, exercite-se na empatia. Mude o mote e o padrão: conversa não se joga fora.

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