Shaiana Lick: “Transtorno de dependência de tela”

O cérebro de crianças e adolescentes estão suscetíveis a mudanças estruturais por conta do abuso de dispositivos eletrônicos e de telas

O abuso de dispositivos eletrônicos e de tela está criando novos problemas de saúde mental em crianças e adolescentes. A Organição Mundial da Saúde (OMS) incluiu em 2018 o transtorno por jogos eletrônicos como doença mental em sua Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Ela pode ser percebida quando o uso de eletrônicos traz “deterioração significativa” na convivência com a família, amigos ou afeta a aprendizagem e a saúde, como nos casos de insônia, ansiedade e depressão.

Consonante ao abuso de jogos eletrônicos, há o “Transtorno de Dependência de Tela”, que inclui dispositivos com telas em geral. Em meio a tantos avanços tecnológicos, crianças nascidas a partir de 2010 já são chamadas de “geração alfa”, por serem a primeira 100% nativa digital, ou seja, expostas às telas desde o nascimento.

Para auxiliar essa nova geração, a American Academy of Pediatrics (AAP) incentiva que os pais ajudem seus filhos a desenvolver hábitos saudáveis de uso de telas. Segundo a AAP, para crianças menores de 18 meses, o uso deve ser desencorajado. Para crianças de 18 a 24 meses de idade, os pais devem escolher aplicativos e programas de alta qualidade e usá-los junto com as crianças para ajudá-las a entender o que estão vendo. E, para crianças com mais de dois anos, é recomendado que o uso não ultrapasse mais que uma hora por dia, ainda com acompanhamento dos pais. Brincar com os filhos e encontrar outras atividades como ler e conversar ainda é o mais recomendável para um desenvolvimento adequado das capacidades cognitivas.

Estudos recentes mostram que o cérebro de crianças e adolescentes expostos excessivamente à tecnologia e uso de tela são suscetíveis a mudanças significativas na estrutura, que podem prejudicar o desenvolvimento neural. As mudanças cerebrais podem incluir perda de tecidos no lobo frontal, estriado e ínsula, que são áreas que ajudam a comandar o planejamento e a organização e nossa capacidade de desenvolver compaixão e empatia, por exemplo.

Os pais não devem proibir que seus filhos utilizem dispositivos eletrônicos, mas devem supervisionar e instruir o uso com parcimônia. Para todos, o uso das tecnologias é algo totalmente novo e, portanto, um processo de aprendizagem. Equilíbrio é a palavra-chave, e criar um plano de uso de eletrônicos para a família pode ser a solução. Se, ainda assim, surgirem dúvidas, consulte um psicólogo para orientação ou tratamento.


Shaiana Lick (CRP 06/138397) é psicóloga, pós-graduada em gestão de pessoas pela FIA e terapeuta EMDR pela Tapia Counseling (Consultor aprovado pela EMDRIA, USA). É membro da Associação Brasileira de EMDR, do Programa Ajuda Humanitária Psicológica – Brasil e do Projeto Social “Voa Borboleta” | Av. Sagitário, 138, sl 2213, Torre City, (11) 93310-4321, @shaianalick.emdr | shaianalick.com

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