Thomaz Assumpção: “Reflexo da pandemia nas cidades: novo viver e morar”

Muito se fala sobre o impacto da pandemia em diversos setores e o ‘novo normal’. Tudo isso trará mudanças profundas na vida e na estrutura das cidades

Em 2020, quando a Covid-19 chegou ao Brasil, a expectativa de todos era que brevemente fosse possível retomar as atividades com normalidade. Hoje, passados cerca de um ano e meio, é possível afirmar que a normalidade esperada não irá chegar e que as mudanças vieram para ficar.

A longa duração da pandemia já consolida tendências comportamentais e de transformação em todos os aspectos da vida urbana, como habitação, trabalho, educação, cultura, espaço público, mobilidade, lazer e entretenimento. O novo viver e morar deve comprovar a necessidade de abolir o modelo antigo de ocupação das cidades que provocou um adensamento maior nas áreas centrais em detrimento das áreas periféricas. Esse modelo já era notadamente ineficaz e, agora, ficou ainda mais evidente a necessidade de as cidades brasileiras focarem o planejamento urbano em diversas centralidades.

Mobilidade

A dificuldade na mobilidade urbana é apontada como um dos maiores problemas das grandes e médias cidades.  O tempo perdido no trânsito, seja no automóvel particular ou no transporte público, deve diminuir principalmente em função do trabalho remoto. Além disso, procura-se evitar ao máximo as aglomerações e transporte público lotado.

A pandemia trouxe uma importante reflexão sobre um novo modelo de mobilidade urbana, mesclando o deslocamento com a coerência geográfica, em que as pessoas tendem a se deslocar cada vez menos e dar preferência aos locais próximos a sua moradia.

Por isso, é preciso que as cidades possuam vários centros conectados com produtos estruturantes, como saúde, educação, varejo e lazer. O resultado disso será um novo ciclo de vida que pode vir após a pandemia, onde essa maneira diferente de viver, além da digitalização, do trabalho, da distância e das novas centralidades, estarão incorporados à realidade das pessoas e à gestão das cidades.

Ciclo político

Outra questão evidenciada pela pandemia é a necessidade de os gestores públicos planejarem suas cidades para além dos quatro anos da gestão política. É imprescindível um planejamento estratégico para o desenvolvimento sustentável, focado na qualidade de vida, equilíbrio entre moradia, trabalho, saúde, educação e segurança.

Esse novo modelo de gestão também evidencia o protagonismo dos prefeitos e dos governadores na tomada de decisões que atinjam diretamente seus cidadãos, de forma a administrarem os recursos, para que atendam às necessidades específicas daquela cidade ou região. Algo fundamental para um país como o Brasil.

Desenvolver novas centralidades focadas na oferta de serviços essenciais e específicos aos moradores de determinada localidade, cria novas dinâmicas econômicas nas cidades, redefinindo as funções em seu entorno e da área central, estimulando tanto o poder público quanto o privado a promover um maior desenvolvimento de áreas periféricas das cidades, sob o modelo de cidade policêntrica.


Thomaz Assumpção é formado em engenharia e fundador e CEO da Urban Systems, empresa de inteligência de mercado e consultoria em negócios imobiliários.

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