Reunião sobre o Ceagesp em Alphaville mobilizou moradores. Acompanhe desdobramentos

Em uma enquete feita no Facebook da VERO 88% dos participantes são contra o projeto

Perspectiva de um dos platôs do Novo Ceasa

Na última quinta (27), a comunidade lotou o Auditório do Centro Comercial Alphaville para discutir a possível instalação do Novo Ceasa na região. Gislane Gandra, presidente do Conseg Alphaville – Tamboré, que conduziu a reunião, ressaltou que a tranquilidade é uma das características que atraiu uma boa parte dos moradores e que isso pode se perder totalmente com a vinda do complexo. “Esse projeto vai impactar não só Alphaville, mas também toda a cidade de Santana de Parnaíba e Barueri”, disse.

Quem também esteve por lá foi um representante dos comerciantes do atual Ceagesp, Hilton Piquera. “Cerca de 90% dos comerciantes são contra a vinda do entreposto para a região de Alphaville. Nós defendemos a permanência e revitalização do Ceagesp na Vila Leopoldina”, contou. A maioria dos moradores presentes também não apoiam o projeto e questionou o que poderia fazer para impedi-lo. Gislane Gandra comunicou que os conselhos e associações locais enviaram ofícios contrários ao Governo do Estado, que é quem define para onde vai o Ceasa. Ela destacou que as reuniões que vêm acontecendo com a comunidade e o abaixo assinado (que até agora só obteve cerca de quatro mil assinaturas – a meta é de 25 mil) já são formas de se manifestar.

Também se pronunciaram contra: Geraldo Michelotti, presidente da AREA (Associação Residencial Empresarial Alphaville), Sabrina Colela (PSC), vereadora de Santana de Parnaíba, Fernanda Passero, do Reclamômetro de Alphaville, entre outros representantes da comunidade local.

Há pouco mais de uma semana da publicação do estudo do Novo Ceasa – em primeira mão – aqui no site da VERO, fizemos uma enquete na nossa página do facebook, onde 727 pessoas votaram: 88% contra e 12% a favor.

A dúvida que fica é: o que acontece agora?

Nesse momento, além do estudo do Novo Ceasa na região, o Governo do Estado de São Paulo está analisando mais três projetos. Adriana Vieira, vice-presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg de Santana de Parnaíba), esteve no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo, e foi informada  que a resposta com a escolha dos estudos será dada no dia 11 de maio. À VERO, o Governo não respondeu até o momento.

Já Prefeitura de Santana de Parnaíba, que está sendo muito cobrada pelos moradores por uma declaração, também não retornou até o momento da publicação. Porém, a vereadora de Santana de Parnaíba, Sabrina Colela (PSC), relatou uma conversa com o prefeito Elvis Cezar: “Eu estou aqui como moradora e sou contra a vinda do Ceagesp para cá. Não falo pela prefeitura, mas eu estive recentemente com o Elvis. Em uma conversa, ele me disse que ficou sabendo do projeto como todo mundo (pela imprensa)”. O prefeito ainda teria dito que não foi consultado pelos idealizadores e que, no momento, não pode fazer nada para vetar. Mas, caso o projeto seja aprovado pelo Estado, entrará com imposições.

Também entramos em contato com a Prefeitura de Barueri – já que a cidade será impactada com a possível vinda do projeto – que preferiu não se posicionar. “Como não há nada definido sobre o Entreposto, a prefeitura opta, por ora, por não se posicionar sobre o assunto, apesar de acompanhar atentamente seus desdobramentos”.

O Conselho de Segurança Comunitária de Santana de Parnaíba defende que Alphaville e Tamboré não possuem, hoje, estrutura para receber o Novo Ceasa, no que diz respeito a pontos relevantes: trânsito, saúde, energia elétrica e água, segurança, mobilidade urbana, compensação ambiental, entre outros. Além disso, o Ceagesp convive com diversos problemas como a prostituição, a sujeira, a presença de ambulantes e a circulação de drogas.”, Eduardo Bargas, presidente do Conseg Santana de Parnaíba.

“A SIA – Sociedade Alphaville Tamboré, que tem 25 anos, está aberta a discussões sobre assunto relacionados à comunidade. A entidade vem participando dos debates referentes a possível vinda da Ceagesp para Alphaville/Tamboré. Estamos receosos pois acreditamos que os bairros de Alphaville e Tamboré não estão preparados. O assunto precisa ser amplamente discutido entre a sociedade civil, as associações e o poder público”, Aliceo Cavalieri, presidente da SIA.

“O trânsito na região é de extrema importância para o desenvolvimento das atividades e operações de segurança em prol da comunidade. O acesso ao Rodoanel e à Avenida Paiol Velho criaria uma rota de fuga dos pedágios por dentro de Alphaville/Tamboré e a própria operação do Novo Ceasa atrairia um comércio com público completamente diverso da comunidade. Quaisquer das alternativas em estudo seria muito mais adequada, inclusive com transporte intermodal”, 
Gislane Gandra Lima, presidente do Conseg Alphaville – Tamboré.

“O sistema viário de Alphaville é todo interligado. Qualquer acidente que bloqueie uma avenida trava tudo. O Ceasa é um grande gerador de tráfego, não só dos caminhões que trazem os alimentos, como dos veículos menores. Gera também atividades complementares, catadores, carregadores, ambulantes, mendigos, negociantes de caixas e pallet, etc. Os vizinhos do atual Ceagesp estão eufóricos com a promessa da mudança. Então, promessas de que não terão os inconvenientes não devem merecer credibilidade. As outras localizações em estudo são melhores, inclusive com integração intermodal. Leonardo Rodrigues da Cunha, gerente geral da Associação Residencial e Empresarial Alphaville (AREA). 

“Sou contrário a implantação desse projeto. Se vai trazer  oportunidades de trabalho e desenvolvimento, porque o Estado de São Paulo deveria privilegiar o município mais rico, que, obviamente, é o que menos necessita dessas vantagens? Santana de Parnaíba tem uma renda média aproximadamente quatro vezes maior que as outras três potenciais áreas de implantação. Aqui, a enorme maioria da população é contrária a este projeto que, muito provavelmente, seria melhor recebido em outras localidades. Seria implantar o projeto em uma área que não o quer e a que menos o necessita”. Horacio Néstor Kantt, 68 anos, empresário e morador da região.

Li a matéria sobre o projeto do Novo Ceasa onde os idealizadores desta ideia tentam a todo custo, justificar o injustificável. Mais um empreendimento megalômano para uma região já saturada deles. Além do trânsito, vou destacar mais alguns problemas, como: a insegurança, pelo aumento de circulação de pessoas, mercadorias, bens e valores; a migração em massa de frequentadores (já que a proposta é que se torne praticamente um “shopping com praça gastronômica”) e de trabalhadores, que buscam se instalar o mais próximo possível do local de trabalho, muitas vezes de forma não organizada e/ou legalizada; a proliferação de insetos e afins, pois esses estabelecimentos trabalham com matéria orgânica que, obviamente, se decompõe e atrai insetos, roedores e afins, o que só piora com peixaria, carnes e aves! Os idealizadores afirmam que é um “presente pra Alphaville”. Um presente de Grego, só se for!”, Lisley Alves de Oliveira, design de interiores, fisioterapeuta e professora universitária, 41 anos e moradora há 5 do Tamboré. 

“Considero que deve-se realizar antes de tudo um Estudo de Impacto de Vizinhança onde se possa identificar com precisão o aumento do fluxo no trânsito – que talvez seja o ponto mais crítico da proposta. A ideia de gerar emprego e movimentar a economia regional é ótima, porém é notório que a rodovia Anhanguera não suporta o trânsito atual em horários de pico, a rodovia Castelo Branco também é ineficiente na altura da saída do Rodoanel, pois não comporta o fluxo do bairro de Alphaville. Por isso, é imprescindível que as ações mitigatórias do projeto tenham previsões de acessos com clareza de informações”, Felipe Ramos de Faria, arquiteto, 29 anos, sempre morou no Centro de Santana de Parnaíba.

 

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