Waltinho Nascimento: “A democracia tricolor”

Marco Aurélio Cunha e Júlio Casares são, hoje, os principais nomes para assumirem a presidência para o triênio de 2021/2023

Apesar da péssima gestão do presidente do São Paulo, Leco, o torcedor são-paulino vinha depositando em Daniel Alves, jogador mais vencedor do mundo em atividade, a esperança de que o clube pudesse voltar a ser dominante e sair do jejum de títulos que perdura desde 2012.

Mas em dezembro tem eleição e leio que Marco Aurélio Cunha, que ocupava cargo na CBF, pode ser a “salvação” da chapa de oposição nas eleições desse ano. Marco Aurélio tem uma história enorme dentro do SPFC. Trabalhou no departamento médico por vinte anos, começando na década de 70. Em 1990 saiu, girou pelo futebol mundial, retornando ao São Paulo em 2002 como diretor de futebol na chapa do então presidente Marcelo Portugal Gouveia (que contava com Juvenal Juvêncio como homem forte e, posteriormente, se elegeria presidente por três mandatos com apoio de Marco Aurélio).

Em 2008 deixou o cargo e, depois de mais algum giro, dessa vez pela política da cidade, ele teve  uma breve passagem (em 2016) pela diretoria do atual presidente Leco, na tentativa de ajudar o time a sair da zona de rebaixamento daquele ano.

Caso se confirme Marco Aurélio como candidato na chapa de oposição, ele concorrerá com o candidato favorito ao pleito, Júlio Casares.

Júlio é membro do Conselho de Administração do clube, vice-presidente da gestão do ex-presidente Aidar e diretor de marketing nas gestões de Portugal Gouveia e Juvenal Juvêncio.

Juvenal Juvêncio, citado como presidente do SPFC em gestões dos quais os dois atuais candidatos faziam parte, teve como primeiro cargo importante no clube o de diretor de futebol em 1984, sendo eleito presidente em 1988. Como já dito, voltou na diretoria de Gouveia em 2003 como diretor de futebol e se elegeu presidente para o período de 2006 a 2014, quando saiu (finalmente!) para apoiar a eleição de Carlos Miguel Aidar (retribuindo o favor recebido em 1988).

Aidar é filho do ex-presidente do SPFC, Henri Aidar. Além de ser o mais jovem presidente da história do clube, eleito por dois mandatos da década de 1980, voltou ao cargo em 2014, mas em 2015 acabou renunciando por suspeitas de corrupção em negociações de patrocínio.

Para o lugar de Aidar assumiu o atual presidente. Leco foi diretor jurídico do clube na década de 80, depois diretor de futebol e vice-presidente do SPFC na gestão JJ. Assumiu a presidência em 2015, se reelegendo em 2017.

Marco Aurélio Cunha e Júlio Casares, como visto, frutos do mesmo grupo que gerencia o SPFC há cerca de 40 anos, hoje são os principais nomes para assumirem a presidência para o triênio de 2021/2023.

Há alguns meses vi o presidente Jair Bolsonaro usar a frase “Eu sou a constituição” mostrando pouco conhecimento sobre a diferença entre governo e Estado. Mostra também desconhecimento sobre a noção básica de que a democracia é um regime de fortalecimento de instituições, cujo principal objetivo é controlar o poder dos indivíduos. Não há salvador da pátria num ambiente democrático.

Vencendo Marco Aurélio ou Júlio, aparentemente, não há Daniel Alves que salve o tricolor.


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