Waltinho Nascimento: “Ano novo, vida velha”

Pela pausa no calendário que a pandemia trouxe, muitas atividades acabaram sendo prorrogadas para 2021.

Sempre amei ano novo. Desde criança, quando passava a noite do dia 31 com meus pais, até a época de de quando era mais jovem, eu curti a virada de forma muito intensa. Sou do time dos que gostam de ver o sol do novo ano nascer.

Considero-me um cara de muita pouca fé, infelizmente. Mas na virada de ano uma energia diferente me consome e eu me permito orar pelas coisas importantes da vida e acreditar, sem muita base prática, que o novo ano trará coisas boas.

Mas a virada desse ano foi diferente, né? Os encontros foram limitados e a tristeza do ano que passou mudou a energia que nos faz acreditar em tempos melhores. No jantar de Réveillon com alguns amigos relembramos momentos duros que 2020 nos trouxe. Alguns mais pesados, outros mais leves. Engraçado como o sofrimento é uma questão bem subjetiva. Para quem o vive, ele é absoluto.

Talvez um pouco disso tudo se dê pela sensação de que o ano ainda não acabou propriamente. Pela pausa no calendário que a pandemia trouxe, muitas atividades acabaram sendo prorrogadas para 2021. No ambiente esportivo foi de fato o que aconteceu e acabamos o ano sem nenhum campeão, sem as tradicionais especulações de contratações e com um calendário ainda confuso para o ano que chegou.

O que será dos estaduais, esmagados pelos campeonatos nacionais de 20/21? Teremos Olimpíadas de Tóquio? Voltaremos a ver nossos times no estádio? Reiterando o que disse mais acima, sou uma pessoa de pouca fé, inclusive no ser humano como um todo. Não espero grandes soluções vindas de nossa racionalidade e quando vejo nossos políticos – quase todos – tratando a Covid-19 e suas possíveis curas da forma que tem sido tratado, me bate uma preocupação.

Mas como diria o professor Pondé, “quem é pessimista no atacado normalmente é otimista no varejo”. Logo após as festividades de fim de ano, a gente volta à rotina e lembra que, como todo mundo sabe, é na dificuldade que a gente amadurece, aprende a rir dos problemas, aprende a perdoar e lembra aquele famoso pensamento: as pessoas que se preocupam demais com os problemas da humanidade, de duas, uma: ou não têm problemas pessoais ou se recusam a enfrentá-los.

Então levanta, sacode a poeira, porque 2021 vem com tudo! Boa sorte a todos

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