Waltinho Nascimento: “O Estoico, Roger Federer”

O cara que apesar de já não estar em seu auge, de não vencer com a mesma frequência, continua encantando cada vez mais o público que gosta de tênis

Sempre fui muito fã de tênis. Desde sempre ia ao ATC assistir meu pai jogar com os amigos. Também por influência do velho Walter, comecei a fazer aula bem pequeno, mas no período da adolescência e faculdade acabei me afastando um pouco da bolinha amarela.

Alguns anos depois, já mais “maduro”, resolvi retomar minha relação com o esporte que tanto admiro. Não tanto em quadra – hoje jogo apenas brincando para bater em uns amigos que acima do peso não me trazem desafio algum, certo Pedro? haha – mas sim acompanhando de perto as notícias e torneios mais importantes. Esse ano tivemos Novak Djokovic vencendo o Aberto da Austrália sem muito esforço, e Rafael Nadal passeando em Roland Garros, conquistando seu impressionante 12º título na terra francesa. Mas tem um cara que apesar de já não estar em seu auge, de não vencer com a mesma frequência que os outros dois citados, continua encantando cada vez mais o público que gosta de tênis: óbvio que estou falando de Roger Federer.

Na final do penúltimo Grand Slan do ano, em Wimbledon, Federer fez uma partida perfeita na semifinal contra Nadal, e uma final histórica contra Djokovic, adversário que vive seu auge e tem 6 anos a menos de idade. Federer parecia flutuar em quadra, chegou a ter duas chances para fechar a partida (o famoso match point), mas acabou sucumbindo ao grande adversário. Eu, que sou MUITO fã, acusei o golpe. Federer completou recentemente 38 anos e fiquei com a sensação de que podemos ter tido a última chance de ver o provavelmente maior jogador da história do tênis levantar um título de Grand Slan. Mas para minha surpresa, ao assistir a entrevista de Roger ao fim da partida, vi um cara sereno, calmo, feliz pelo desempenho e falando em tirar proveito dessa “grande” derrota para tentar vencer o último grand slan do ano, o US Open.

Admito que estranhei, mas como disse Marcelo Gleiser em sua coluna na Folha de SP, “Muita gente tem aquela imagem do gênio como a pessoa que nunca falha, para quem tudo é sempre fácil, meio que magicamente. Grande ilusão. Todo gênio sofre, avançando na direção errada, tentando isso ou aquilo até encontrar uma solução“. Sei lá como, mas acabei por admirar ainda mais o cara. Essa sabedoria quase estoica de separar a felicidade do sucesso imediato – o estoicismo sempre relacionou felicidade a sabedoria, e não ao poder da conquista – me fez entender que Federer ainda tem lenha para queimar. Não pensei duas vezes: pedi férias a meu chefe, comprei ingresso para o US Open e dia primeiro de setembro, aniversário do meu pai, estarei no Arthur Ashe Stadium torcendo para o 21º título de Grand Slan desse monstro chamado Roger Federer!

Que honra a minha, hein, pai?

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