Waltinho Nascimento: “Que venha o hexa”

Uma geração que parecia ser a mais fraca desde sei lá quando, passou a ser um time promissor, que chega à Copa da Rússia definitivamente como uma das favoritas.

Nesse mês se encerraram as Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018 na Rússia. Depois de um começo preocupante em 2015 – não apenas pelos resultados mas pelo futebol jogado – o Brasil termina a maratona de 18 jogos que a competição impõe como primeiro colocado com sobras, jogando um futebol seguro e com muitos momentos de brilho.

A mudança da chave de um futebol pragmático, que vinha de péssimas participações nas Copas América de 2015 e 2016 e da vexatória eliminação na Copa do Mundo de 2014 aqui no nosso país e pareciam colocar em risco a nossa ida à Copa, veio, todo mundo sabe, após a chegada do técnico Tite.

Começando pela postura dos jogadores, que pareciam não acreditar mais na liderança do ex-técnico do time e capitão do tetra, Dunga. Com Tite, passaram a aparentar um contentamento/dedicação maior. Mas mais do que isso, o time mudou muito no aspecto básico de qualquer time que queira disputar títulos: o jogo coletivo. Tite é estudioso e conseguiu mudar o jogo em conjunto da seleção.

O treinador trouxe uma organização tática – sobre a qual não vou entrar em detalhes para não dar sono em você, caro leitor(a) – que nos fez esquecer dos últimos 3 anos e pouco de sofrimento e desinteresse pela seleção.

Neymar voltou a ser nosso líder (apesar das recentes demonstrações de estrelismos  em Paris); Coutinho passou a ser peça fundamental; Gabriel Jesus parece ter ocupado a vaga de centroavante que ¨põe medo nos adversários¨, como não tínhamos talvez desde quando nosso número 9 era Adriano Imperador, o destruidor de argentinos. Uma geração que parecia ser a mais fraca desde sei lá quando, passou a ser um time promissor, que chega à Copa da Rússia definitivamente como uma das favoritas.

Mas por quê no meio disso tudo me vem aquela sensação quase sádica de que tá tudo bom demais pra ser verdade? Jornalista tratando Tite como o técnico irretocável. Torcedor vendo nessa seleção uma nova constelação de craques. Não falta alguém levantar a bandeira do ¨e se..¨?

Vamos recapitular os últimos anos: a seleção brasileira chegou às últimas 2 Copas do Mundo também com status de uma das favoritas. No período de 2007 a 2009 a seleção conquistou – além das polêmicas do técnico Dunga – títulos como a Copa América de 2007 (seleção venceu com o time praticamente reserva a Argentina na Final), a Copa das Confederações de 2009 e a classificação em primeiro lugar nas eliminatórias com vitórias maiúsculas, como foi contra o Uruguai em Montevidéu (um 4×0 depois de 33 anos que não ganhávamos por lá).

Em 2013, véspera da Copa do mundo do ano seguinte, vencemos a Copa das Confederações com uma vitória acachapante sobre a Espanha, na época, atual campeã mundial.

Mas o que aconteceu nas Copas de 2010 e 2014? Eliminações de formas completamente inesperadas, que pegou a maioria dos torcedores e inclusive a mídia esportiva de calças curtas.

Mais do que isso, nos anos pré-seleção brasileira, o técnico Tite, em torneios mata-mata (com a fórmula de disputa semelhante à Copa do Mundo) passou por eliminações inesperadas. As quedas nas Libertadores de 2015 (para o Guarani do Paraguai, time infinitamente inferior ao Corinthians) e 2016 (para o Nacional também do Paraguai, que apesar de ser uma equipe mais respeitada, também na época, jogava muito menos bola do que o time treinado pelo técnico da seleção) levantaram uma bola interessante sobre o trabalho do treinador: claramente ele é capaz de formar equipes competitivas, organizadas taticamente, seguras defensivamente e com algumas outras qualidades, mas ele é capaz de mudar o time, mudar sua tática, mudar as peças quando o adversário encontra formas de expor as fraquezas em seu jogo?

Em 2013, quando Tite foi mandado embora do Corinthians, uma das maiores reclamações do torcedor era como o treinador tinha dificuldade em encontrar alternativas a um time que não rendia em campo.

Cadê aquele repórter que vai perguntar: ¨Professor¨, E SE os alemães, analisando nossos últimos jogos, conseguirem anular o Neymar? E SE os belgas não deixarem o Paulinho subir? E SE os franceses entrarem com facilidade no nosso sistema defensivo? Teremos alguma alternativa tática, técnica, psíquica, cabalística?

Eu sei, estou sendo ¨mala¨ aqui. A seleção está jogando bem, a confiança no nosso futebol está em alta, tem gente clamando por ¨Tite Presidente¨, e eu aqui dando uma de advogado do diabo?

¨Relaxa, Waltinho! Se a gente perder a Copa é só xingar todo mundo depois e falar que os europeus são mais competentes e planejados.¨

É assim? Então tá. Vamos, Brasil!!!!! Que venha o Hexa!!!

 


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