Waltinho Nascimento: “Seleção Brasileira: representatividade ou qualidade”

Na última convocação da seleção brasileira de Tite antes da Copa do Mundo, chamou a atenção a presença do contestado zagueiro, Rodrigo Caio.

Promovido a profissional da base do São Paulo Futebol Clube como um jogador promissor – que podia tanto ser zagueiro como volante, afinal, tinha qualidade técnica para tal – Rodrigo Caio rapidamente conquistou espaço e assumiu a titularidade do time.

Nos últimos anos tem sido um dos pilares da defesa tricolor. No inicio de 2018 o jogador atingiu uma marca respeitável: iniciou sua oitava temporada consecutiva no elenco principal do clube que leva o nome do nosso estado.

Mas apesar disso tudo, o jogador nunca foi uma unanimidade entre o torcedor são-paulino. Talvez por que esses oito anos como profissional coincidam com um período das trevas para o clube do Morumbi – como você pode ver na coluna Inferno Astral Tricolor. Talvez por algumas declarações que não pegaram bem com o torcedor, como quando admitiu ter se sentido intimidado pelo peso da torcida do Corinthians em um de seus primeiros clássicos.

Mas a verdade é que, pelo menos recentemente, o jogador não tem mostrado futebol suficiente para fazer parte de uma lista tão seleta, como é a de convocados de Tite.

E aí todos se perguntam: por qual razão Rodrigo Caio tem sido convocado com frequência?

Recentemente, o cientista político e escritor português João Pereira Coutinho dizia em sua coluna que “nos prêmios das diferentes indústrias, ninguém discutia a qualidade dos produtos. O que interessava era saber se os filmes ou as músicas obedeciam a critérios de representatividade”.

Poderia estar aí a resposta do porquê de o zagueiro são-paulino estar com um pé na Copa da Rússia? Explico:

Na semifinal do Campeonato Paulista de 2017, entre São Paulo e Corinthians, um lance entre o então atacante do Corinthians, Jô, e Rodrigo Caio, chamou a atenção e levantou um enorme debate entre torcedores e imprensa.

No lance, o árbitro da partida erroneamente marcou uma falta do atacante corintiano, e o puniu com um cartão amarelo que o suspendia automaticamente do próximo confronto entre os dois times. O zagueiro são-paulino, sabendo que o juiz havia errado em sua atitude, o avisou do equívoco, que foi prontamente corrigido e o cartão foi cancelado. No jogo seguinte o Corinthians eliminou o SPFC com um gol de Jô.

Aqui vou dar menos enfoque no debate “fair play X não fair play” – que valeria uma coluna só para ele – e voltar à questão: estaria Rodrigo Caio sendo convocado por Tite mais como um exemplo de caráter – representatividade – do que pelo futebol que tem jogado – qualidade?

Se sim, Tite tem razão em valorizar essa atitude, tanto quanto o futebol que os jogadores tem apresentado dentro de campo?

O que acha, caro leitor(a)?


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