Waltinho Nascimento: “Tite e os jornalistas que respeito”

Existe uma grande diferença entre criticar o treinador com um fanatismo quase cego e analisar os vários equívocos de seu trabalho

Recentemente tivemos as primeiras aparições em campo da Seleção Brasileira após a Copa da Rússia. O ciclo de quatro anos de preparação que mais uma vez busca trazer o hexa para nossa casa começou. Alguns testes interessantes foram feitos pelo técnico Tite: Militão (FC Porto), Fabinho (AS Monaco FC), Arthur (FC Barcelona), Paquetá (CR Flamengo) e Richarlison (Everton FC) chegam para dar a cara de renovação ao trabalho de nosso treinador.

Tite decidiu acabar com o tal rodízio de capitães e definiu Neymar como o novo, e agora único, dono da faixa. E é claro que isso gerou alguma polêmica e até muitas críticas ao comandante brasileiro. Li de alguns jornalistas esportivos que respeito frases como “Tite é um dublê de técnico” ou “Quem ainda suporta aquele discurso de autoajuda do nosso técnico encantador de serpentes?”, e, ainda, “Primeiro tempo contra a Bélgica mostrou o abismo tático que separa o técnico espanhol Roberto Martinez do nosso Adenor Bachi…”. Mas até três meses atrás nosso treinador era endeusado por toda a imprensa. Poucos jornalistas levantaram a bandeira da desconfiança. Seria a polarização de que tanto se fala hoje em dia?

Como disse em sua coluna o escritor e doutor em ciência política João Pereira Coutinho, “produzir informações conspiratórias sempre fez parte do DNA da espécie. Até Eva, que era Eva e vivia no Paraíso, não se conteve e foi um pouco ‘fake’ com Adão no episódio da maçã”. Não se trata aqui de fazer uma defesa ao técnico brasileiro, que obviamente errou bastante e terá que aprender com seus erros se quiser marcar seu nome na lista de treinadores campeões do mundo pela seleção. Mas esquecer os trabalhos que Tite fez nos últimos anos por causa do mês da Copa me parece bem precipitado.

Existe uma grande diferença entre criticar o treinador com um fanatismo quase cego e analisar os vários equívocos de seu trabalho. Desconfio que preciso atualizar um pouco minha lista de jornalistas que respeito.

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