Wilson Medeiros: “A presença dos invisíveis”

É fácil lembrar de quem vemos no nosso dia a dia. Difícil é enxergar, aqueles que passam (quase) despercebidos, mas sem eles, dificilmente nossos negócios teriam sucesso e longevidade

Os invisíveis estão por toda parte. Fazem o seu trabalho como coadjuvantes ou nos bastidores. São parte fundamental do time, mas nem sempre têm sua presença reconhecida, mesmo que sua atuação seja capaz de afetar os resultados da empresa como um todo.

Da mesma forma que um paciente, quando acorda da cirurgia, lembra-se do médico que o operou e nunca do anestesista que o manteve vivo, ou que seja normal cumprimentar o chef pela maravilha de prato, sem mencionar o assistente que cortou os ingredientes, é comum esquecer dessa turma dentro das organizações. Além de não receberem o reconhecimento merecido, muitos chegam a sofrer preconceito pela invisibilidade.

É no mínimo incomum ver um gestor ou dono de empresa se lembrar – no fim de ano, por exemplo – de convidar seus pequenos prestadores de serviços para agradecer as conquistas e comunicar sua estratégia para o ano seguinte.

Tenho observado diversos artigos e reportagens retratando a inquieta dinâmica empresarial dos mercados, enfatizando que a revolução não para, com novos jeitos de vender tudo, entre outros conceitos liderados pelo Metaverso como o futuro da interação social no mundo virtual. O tom, contudo, continuará sendo guiado pelos verbos “manter e crescer”.

É compreensível o destaque das mídias e instituições de ensino às inovações geradas pela tecnologia nos modelos de negócios – em especial, nos últimos dois anos de pandemia e as transformações impostas pela crise sanitária.

Em meio a tantas demandas, eu pergunto: e a conexão com os times? Será que o modo “conectar com o bem-estar coletivo” está ativado? Me refiro a toda a cadeia que forma uma grande empresa.

É fácil lembrar de quem vemos no nosso dia a dia. Difícil é enxergar, aqueles que passam (quase) despercebidos, mas sem eles, dificilmente nossos negócios teriam sucesso e longevidade.

Faço aqui um convite para refletir sobre as pessoas essenciais para que sua atividade aconteça.

“Os invisíveis são ambivalentes em relação ao reconhecimento: ao mesmo tempo que ficam felizes em recebê-lo, não gostam da disputa por ele”, diz o americano David Zweig, de 39 anos, autor do livro “Invisibles: the Power of Anonymous Work in an Age of Relentless Self-Promotion” (numa tradução livre, “Invisíveis: o poder do trabalho anônimo na era da autopromoção”).

Revisor de textos, Zweig se deu conta de que seu trabalho não costumava ser notado por quem folheia um livro ou uma revista, exceto se um erro de grafia salta à vista. Com base nessa constatação, decidiu buscar outros indivíduos com o mesmo perfil para o livro. Ele deixa um recado importante para as empresas e os RHs: “mudem sua cultura. Há muitos programas que não atendem à diversidade de funcionários e, no fim, geram uma competição prejudicial”.

Entre os extremos da era atual, marcada por superexposição, selfies e redes sociais, e o anonimato (que alguns até preferem), há a presença inegável dos invisíveis.

É preciso chamar atenção para a relevância estratégica da gestão de toda a cadeia de relacionamento de times envolvidos nas atividades dos negócios.

Que tal ligar o modo “conexão com o outro” em todo o ecossistema de suas atividades? Está valendo uma mensagem de reconhecimento pelo trabalho bem feito, uma bonificação ou simples elogio.

A receita é simples e não exclui o olhar atento e vigilante às transformações da revolução que não para.

O mais importante é reconhecer o papel e validar a presença de cada profissional como parte indispensável do time, dando a eles a visibilidade merecida.

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