Wilson Medeiros: “O abre e fecha da torneira do empreendedorismo”

De cada 10 empresas que abrem no Brasil, 6 delas fecham antes de completar 5 anos.

Parece que as estatísticas confirmam mais um traço característico de nosso país: os contrastes. De cada 10 empresas que abrem no Brasil, 6 delas fecham antes de completar 5 anos. Os números do IBGE valem tanto para ressaltar as discrepâncias, como para enaltecer as qualidades e a marcante personalidade do brasileiro. Além, é claro, de nossa forte representatividade na economia mundial.

Nessa dinâmica do abre e fecha da torneira do empreendedorismo, salta aos olhos o desequilíbrio no fluxo de empresas que abrem todos os anos, e as que encerram suas atividades até 2 anos de operação, segundo recente estudo do Sebrae. A pesquisa também reflete um abismo entre o sonho de prosperar e a desoladora realidade de fechar as portas. 

Mas acredite. Ainda assim, temos muito o que comemorar! A começar pela coragem e audácia dos brasileiros em empreender. Pesquisas de entidades locais e estrangeiras reconhecem o país como uma das maiores forças globais nesse quesito. Em algumas delas, até nos exibem como os “mais determinados “, a despeito de todas as conhecidas dificuldades, como mostra um estudo da startup Expert Market, do Texas

Sabemos que começar um novo negócio exige, muitas vezes, mais resiliência do que recursos financeiros. Para aqueles que planejam empreender, os planos de ficar rico podem ser rapidamente destruídos pelos obstáculos que vão surgindo, como em um jogo de videogame, desde o momento em que se registra o negócio. E não apenas no Brasil. Um levantamento realizado pela Small Business Administration, agência de fomento a pequenos negócios do governo dos Estados Unidos, evidencia que apenas a metade dos empreendimentos criados em 2013 vai sobreviver até 2018.  

As principais razões do popular “passo o ponto”, pela ordem da pesquisa Sebrae são: altos impostos, baixas vendas, problemas no financeiro e na gestão. Vale ainda considerar outros fatores que pesam na conta, como a acirrada concorrência local e global e a instabilidade econômica. 

Percebe-se também que, quando a abertura é motivada pela visão de oportunidade, ela mostra maior tempo de atividade,  porque está acompanhada de muito estudo e planejamento de mercado. Ainda assim, isso não é garantia total de sucesso. Já os casos liderados por necessidade, contam com maior nível de intuição e expectativas. Muitas vezes, nesse contexto, lá se vai pelo ralo o sonho de ser empreendedor! 

E qual é a luz? 

Penso que as entidades governamentais responsáveis pelo desenvolvimento e suporte a esse setor carecem de endereçar – reforçar mesmo – fortes investimentos, de incentivos a estudos e análises e, principalmente, criar uma base de apoio de caráter preventivo. 

Com essas medidas, seguramente, aumentaremos a longevidade das empresas na direção de potencializar os pilares de crescimento, inovação  e geração de empregos, estabilizando o fluxo da torneira do empreendedorismo. 

Cabe ainda um alerta aos que pretendem abrir um negócio. Antes de tudo, ter consciência dos desafios da jornada do planejamento da estratégia ao projeto de execução. 

Manter a chama acesa do sonho empresarial é responsabilidade de todos nós, até porque a força empreendedora dos brasileiros já percorre as veias das antigas e novas gerações.  

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COMENTÁRIOS

  • Caro Wilson.
    Está correto, existe uma insegurança em ser empreendedor, pois além do forte estudo de caso, necessitamos pensar muito nos impostos, concorrência formal ou não e na economia atual. Ter o dinheiro às vezes não é o problema para abrir a empresa, o problema e receio é quanto à instabilidade atual.
    Mas uma coisa é certo, seus textos nos encoraja muito e nos ajuda na reflexão!
    Obrigado amigo!

  • Sem dúvida a maior característica do empreendedor no Brasil deve ser resiliência. Além dos bários percalços a carga tributária surreal, cria -se um “sócio majoritário ” na largada!!!

    • Bom ponto querido Orsival, empreender é bom. Mas empreender com saúde é melhor ainda !
      Feliz que contribuí e grato pelo interesse e feedback. Abraço amigo.

      • Caro Ivo Bento, você tem razão.

        Daí a imperativa necessidade de um planejamento bem feito – operacional, estratégico e financeiro – para não ceder espaço a possível comprometimento do negócio.

        Obrigado pelo interesse da matéria. Grande abraço.

  • Acredito que o autoconhecimento empresarial pode difereciar escalas de trabalho com relação as empresas que abre e fecha. Na realidade quando sabemos o que queremos trabalhar com amor, as inovações vem mesmo com as discrepâncias do mercado.

  • Wilson, seu texto expõe claramente a nossa realidade e nos motiva a reflexão necessária em cada etapa superada com muita resiliência. Parabéns!

  • When you are Cristiano Ronaldo and you need to freshen up exhibits in your museum, sometimes another replica of the Champions League trophy just won’t cut it. So he has added boots. Cristiano Ronaldo’s museum has its latest exhibit as diamond-encrusted boots commemorating his Premier League stay are put on display… but there is no nod to Manchester United!

    https://bit.ly/2S3sXus

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