Wilson Medeiros: “Quando errar é um acerto”

Saber lidar com erros é um diferencial ainda pouco desenvolvido e explorado, mas com enorme potencial de ganhos em todas as dimensões

Pode ter soado enigmático o título desse artigo, mas vamos traduzir: o erro é uma estratégia para o sucesso. Isso, claro, se o engano for bem interpretado e aproveitado. Existe uma cultura presente na mente da maioria das pessoas de que errar é ruim –ou até mesmo inaceitável. Mas não é exatamente assim que as coisas funcionam, ainda mais na carreira, no mundo dos negócios e empreendimentos.

Errar às vezes é ruim, às vezes é inevitável, mas muitas vezes também pode ser bom. É bom, sobretudo, quando se aprende com os erros. Enquanto Descartes disse “Penso, logo existo”, Santo Agostinho afirmou: “Fallor, ergo sum” (Erro, logo, sou). Mas por que é tão complicado admitir falhas? A jornalista norte-americana Kathryn Schulz, autora de “Being Wrong” (sem tradução no Brasil) acredita que o problema é que “cada um um vive na sua pequena bolha de estar certo sobre tudo”. Para a “errologista”, como ela mesma se autodefine, essa epidemia de certezas, muito comum nas redes sociais, por sinal, afeta todas as relações.”Sair desse sentimento é o maior salto moral, intelectual e criativo que alguém pode dar”, defende ela, em seu TED, com mais de 1 milhão de views.

A autora lembra que, na escola, a primeira lição é que o “certinho” da turma leva a melhor. Só que, crescer negando que somos passíveis de erros gera limitações que afetam a vida emocional e profissional. Para isso, a errologista recomenda que tentemos receber os desacertos com leveza e curiosidade: “Você vai descobrir a maravilha que é ser capaz de dizer: ‘Uau, eu não sei!’”, diz ela.

Como aprender com as falhas?

Aprender com os erros é um processo de controle de qualidade também. Muito além do que manter o que está bom, contornar e prevenir os erros, significa potencializar para algo ainda melhor, como um produto, um serviço ou um relacionamento. Mas de fato não é tão simples aprender com as falhas. Para cada tipo de erro há uma metodologia didática capaz de nos ensinar a superá-lo. Não dá para usar as mesmas premissas de uma solução para erro de vendas, na tentativa de solução de um erro num relacionamento. Em outras palavras, não dá para fazer exercício de matemática e achar que a mesma fórmula vai resolver problemas de português. Esse olhar precisa ser crítico.

Existem ainda algumas posturas empresariais – de acionistas e gestores – que costumam perder mais tempo buscando culpados e/ou responsáveis e remoendo a culpa dos erros, em vez de potencializar esforços na busca por soluções criativas, sustentáveis e que gerem mais empatia para todos os envolvidos e, de quebra, neutralize o jogo da culpa.

Falar de erro e olhar crítico também pode significar a busca por ajuda profissional. Os mentores e consultores muitas vezes são pessoas que, através de sua experiência (e dezenas de vivências com casos de erros), cada um à sua maneira, podem clarear o caminho para prevenção, correção e melhores performances. Saber lidar com erros, portanto, é um diferencial ainda pouco desenvolvido e explorado, mas com enorme potencial de ganhos em todas as dimensões.


Gostou? Leia mais artigos de Wilson Medeiros aqui!

Compartilhe
Leia mais de Wilson Medeiros

Wilson Medeiros: “4 sinais de que um executivo vai fracassar”

Segundo Ron Carucci, autor do best-seller "Rising to Power"- a jornada de...
Read More

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *