Wilson Medeiros: “Travessia: a jornada da mudança”

A travessia profissional é uma mudança de emprego, de cargo ou de contexto. Você pode assumi-la como um problema ou como uma oportunidade

Não importa o nome do desafio que a gente enfrenta, seja na área profissional, pessoal, financeira e até espiritual. Mais cedo ou mais tarde, queiramos ou não, a mudança vem. A verdade, como bem retratada por Elizabeth Gilbert (autora de Comer, Rezar e Amar), é que o caminho da autodescoberta é uma tarefa que ninguém pode fazer por você. Portanto, intransferível e indelegável. Dela depende o reencontro com você mesmo, com sua essência que, por consequência, pavimenta o caminho em direção aos seus sonhos. E é a esse processo que particularmente chamo de travessia.

A travessia chega em momentos escusos, ou em momentos onde o mar da vida está calmo como um lençol sobre a cama. Não. Pensando melhor, isso não é verdade. A travessia está aí, acontecendo o tempo todo. Agora, comigo e com você. Porque o presente é o momento que transforma de pouco em pouco a noção geral que temos de nós mesmos e da nossa situação. E, na pressa que a vida passa, no minuto seguinte somos completamente diferentes do minuto passado.

As mudanças – tão necessárias para nos aperfeiçoarmos – vêm em ondas fortes ou fracas. Lewis Carrol, no clássico Alice no País das Maravilhas retrata as diversas nuances de tamanho físico que a protagonista passou ao beber o líquido mágico. Quando Alice encontra a lagarta apreciadora de nargillé, o inseto a pergunta: “quem é você?”, no que a criança responde “Já não sei quem sou, pois que já mudei tantas vezes desde a hora que acordei até agora”. E assim é conosco.

A travessia profissional é uma mudança de emprego, de cargo ou de contexto. Você pode assumi-la como um problema ou como uma oportunidade, porque, no fundo, a maneira como lidamos com as coisas, não passa de escolhas pautadas pelas nossas referências. Em minhas palestras, venho dizendo que a travessia é o desafio dos 14 milhões de brasileiros que se encontram fora do mercado formal de trabalho e que precisam encontrar em seus diferenciais uma maneira de garantir seu sustento, além, é claro, dos empresários privados e profissionais autônomos que precisam inovar.

E vivenciar também é importante, como nos revela o clássico e atual Sidarta, de Hernann Hesse, nos convidando a distinguir meta de procurar.  

“Quando alguém procura muito – explicou Sidarta – pode facilmente acontecer que seus olhos se concentrem exclusivamente no objeto procurado e que ele fique incapaz de achar o que quer que seja, tornando-se inacessível a tudo e a qualquer coisa porque sempre só pensa naquele objeto, e porque tem uma meta, que o obceca inteiramente. Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma. Pode ser que tu, ó venerável, sejas realmente um buscador, já que, no afã de te aproximares da tua meta, não enxergas certas coisas que se encontram bem perto dos teus olhos.”

Apesar de tudo, e do desafio contínuo que a vida nos joga muitas vezes sem pedir permissão, a gratidão também é uma escolha possível. Mudar mexe com a nossa autoestima tanto quanto com a nossa zona de conforto. A experiência é a commodity dos sêniores, bem como o desafio de inovar e ser criativo no papel que desempenha. E nessa longa jornada, onde nada será definitivamente como antes, o que vale mesmo, no fundo, no fundo, é a possibilidade de viver e experimentar cada possibilidade que se concretiza e, de repente, transforma tudo. E, acima de tudo, nos transforma também. 

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