Wilson Medeiros: "Em busca do eixo perdido"

Vivemos entre o que não é mais e o que virá a ser
08/08/20 |
vero

É isso mesmo. Perdemos o eixo. Nos últimos meses, experimentamos a incerteza em meio a uma crise global sem precedentes. Nação alguma do planeta deixou de se curvar diante do potencial letal a vida humana, causada pela maior pandemia vivenciada em muitas gerações.

A crise leva a reflexões, como a do presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior: “O momento é de agir pensando grande, levando em conta todo o ecossistema. Antes pensávamos no futuro. Agora é viver um dia de cada vez, já que nos voltamos para aquilo de mais básico para o ser humano: a preservação da vida”, disse ele, em entrevista à Veja.

Em outra ponta, Ziggmunt Baumann, um dos grandes pensadores contemporâneos, diz: “Nada parece estar mais em seu lugar no mundo. Estamos vivendo em mar aberto, carregados por uma onda contínua, sem ponto fixo e sem instrumentos para medir a distância e a direção da viagem. Vivemos entre o que não é mais e o que virá a ser”.

O economista americano Hector Torres, ex-diretor executivo do Fundo Monetário  Internacional (FMI) e pesquisador do Centro Internacional de Governança e Inovação, ressalta, por outro lado, que a crise nos alerta para não esquecer de valores essenciais: “Parece que a coletividade perdeu força, ainda que a pandemia tenha atingido todos os países, mas nem por isso está aproximando as nações”, disse, à revista Exame. Seu temor é que o nacionalismo possa emergir triunfante da crise.

Quem estará com a razão? A pandemia da Covid-19 expôs a desigualdade no Brasil e no mundo de maneira ímpar. Perdas irreparáveis de milhares de vidas. Na economia, em nosso país contabiliza-se perdas da ordem de 600 a 700 bilhões de reais.  O colapso econômico é visível e previsível.

Mas é justamente aqui, na incerteza, na perda momentânea do eixo, que mora a nova consciência. O guia da sobrevivência passa por uma mudança interna, de alma, com a qual nós, brasileiros temos muita dificuldade em lidar.

A máxima do capitalismo, “quem pode mais chora menos”, ironicamente, foi atropelada pela dimensão globalizada. O mundo do mais forte morreu. Basta olhar a derrocada das maiores economias do planeta. A mesquinharia também foi infectada e não vai sobreviver. A aula já começou. Ou você aprende agora ou não terá tempo para uma segunda chance.

Impossível não me lembrar do saudoso seu Joaquim, meu pai e meu primeiro mestre. Com a firmeza de um CEO e a simplicidade de um pai, que enfrentou várias provas de sobrevivência, ele me deu um conselho que jamais esqueci: “Filho, por pior que seja sua situação, sempre tem alguém precisando mais do que você”.  Seu Joaquim, sem saber, estava dando a letra do novo mantra: fazer o que precisa ser feito, pensando no coletivo, em todas as esferas. Cabe aqui enaltecer os belos exemplos de doação, sem precedentes no país, por parte de pessoas comuns e empresas brasileiras, em prol dos mais frágeis.

Para a recuperação ou reconstrução de modelos é imperativo que governos e empresas ampliem suas responsabilidades para com a sociedade. Praticar o espírito solidário não é mais um questão de escolha.

A solidariedade é a vacina que vai curar a humanidade – e ajudá-la a encontrar o eixo perdido.

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