Basilio Jafet: “Um mercado não contaminado”

As vendas foram recorde e os lançamentos de unidades residenciais, apesar das restrições impostas por legislações urbanísticas, cresceram

Com a eclosão da pandemia, esperava-se que 2020 fosse um ano desafiador para o mercado imobiliário, considerados os exuberantes resultados do ano anterior. Exemplo disso foram os lançamentos em Alphaville, Tamboré e em outros bairros de Barueri, com aumento de 198%, em 2019.

Era uma dedução lógica, com os dramáticos efeitos da covid-19 sobre a maioria das atividades produtivas. Vários setores foram e lamentavelmente continuam penalizados. Que o digam as áreas de hotelaria, eventos ou gastronomia. Entretanto, o setor não foi contaminado. As vendas foram recorde e os lançamentos de unidades residenciais, apesar das  restrições impostas por legislações urbanísticas, cresceram. Motivos: inflação sob controle, juros baixos, crédito imobiliário e, especialmente, a ressignificação da moradia.

Em busca de qualidade de vida, e com a possibilidade de home office ou regime híbrido de trabalho, famílias se movem para cidades próximas à capital paulista. Almejam áreas verdes, espaços abertos, aspectos que, desde 1973, vêm atraindo muitas pessoas para viver em Alphaville, um dos ícones no mapa de bairros planejados brasileiros.

No município de São Paulo, o total lançado e vendido em 2020 foi, respectivamente, 74% e 70% superior à média anual de unidades referente ao histórico dos últimos 17 anos. Já em 2021, no acumulado de janeiro a abril, os lançamentos foram 95,5% acima do registrado no mesmo período de 2020, e as comercializações 49,6% maiores às efetuadas em igual quadrimestre de 2020.

O mercado imobiliário tem se mostrado resiliente à crise sanitária. E poderá assim se manter, se considerarmos exclusivamente o aspecto da demanda. Isto porque existem ameaças. Dentre elas, o brutal aumento de preços de materiais de construção. De janeiro a abril de 2021, o aço somou variação superior a 30% – e 67%, no acumulado de 12 meses.

Isso impacta diretamente no custo final das moradias num momento em que a renda das famílias está duramente prejudicada pelo desemprego (que a atividade imobiliária tem ajudado a conter nessa pandemia, assim como a queda do PIB).

Tais aumentos também afetam a produção de moradias econômicas, viabilizadas pelo programa governamental Casa Verde e Amarela (antigo Minha Casa, Minha Vida), hoje responsável pela metade das vendas de residências em vários mercados do País.

Confiamos, contudo, que vamos equacionar esses problemas e continuar contribuindo com o desenvolvimento nacional, por meio da oferta de habitações, geração de empregos e movimentação das inúmeras atividades de indústria e serviços que orbitam em torno do mercado imobiliário.


Basilio Jafet é presidente do Secovi-SP, A Casa do Mercado Imobiliário, e colunista convidado desta edição especial. Escreva para reportagem@vero.com.br e conte o que achou desta coluna!

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