Bia Garbato: "Bipolar ou louca?"

O dia em que tirei a minha bipolaridade do armário.
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vero

HÁ MUITO tempo que quero falar sobre minha bipolaridade. É duro andar por aí com ela na bolsa. É difícil rir quando alguém diz que outro é bipolar porque muda de opinião toda hora, é “duas caras” ou tem dupla personalidade. Dói ainda mais ouvir que uma pessoa é “bipolar” querendo dizer que ela é “louca”. Eu sou bipolar. Ou melhor, tenho uma doença chamada Transtorno Bipolar, e ela não tem nada a ver com se arrumar para uma festa e, no minuto seguinte, decidir ficar em casa vendo seriado. Ser bipolar é ter depressões e manias (euforias), intercaladas pela vida normal, com seus problemas e suas alegrias. Em linhas gerais: na depressão perdemos a alegria de viver e fugimos da vida, no colchão. Em mania, não tem alegria maior. E a vida? É bonita e é bonita. O problema é que as pessoas ao redor, geralmente, não acham tão incrível assim. Por quê? Porque as ideias na verdade não são tão geniais e podem, inclusive, ser inconsequenes; porque dá um desejo louco de comprar; porque o chefe talvez não ache que de repente ficamos tão inteligentes assim; porque é comum ficarmos mais irritados e agressivos. Enfim, se, para quem está em mania, ela é o céu, para os outros é um inferno. Nesse estado descolamos da realidade e dá para dizer, sem preconceito, que cometemos loucuras. Só que para essa doença existe tratamento: medica-mentos, terapia e um estilo de vida saudável. Quando tratado, o bipolar leva uma vida normal. Hoje posso dizer que estou bem. Quando digo bem, quer dizer que estou bem hoje, estava bem ano passado e tudo indica que estarei bem daqui um ano. E isso é motivo de sobra para comemorar. O fato é que eu não sou a doença. Ela não me define. Sou bipolar, mas também sou mãe, esposa, filha, irmã e uma escritora que está aqui expondo suas vulnerabilidades. Mas se eu quiser me vestir de Lady Gaga, dançar em cima de um a mesa e ainda postar no Instagram, eu posso. E se quiser me chamar de louca por isso, fique à vontade. Porque a verdade é que eu não sou louca, mas posso ser. Quando eu quiser.

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