Helio Contador: “Um cérebro em busca da felicidade”

Manter um estado de felicidade e positivismo ajuda a enxergar as coisas ruins de uma forma menos negativa, a diminuir nossos medos e ansiedades

Imagine aquela manhã ruim que você está tendo: derrubou a xícara de café na sua roupa (pronto para sair), pegou um congestionamento danado indo para o trabalho e seu chefe gritou com você por estar atrasado. Parabéns! Isso pode acontecer com todo mundo. Mas a maneira como reagimos à essas coisas ruins que podem acontecer a qualquer momento revela muito sobre nossos cérebros.

Hoje sabemos que o cérebro pesa, em média, 2% do peso do corpo humano, mas consome cerca de 20% das nossas energias. Essa é uma das razões do nosso cérebro buscar sempre automatizar nossos hábitos para assim economizar energia do nosso corpo, uma forma de autoproteção. Por outro lado, manter um estado de felicidade e positivismo ajuda a enxergar as coisas ruins de uma forma menos negativa, a diminuir nossos medos e ansiedades, gerando menos estresse e consequentemente mais harmonia no cérebro.

Num artigo anterior falei sobre a importância em termos um cérebro em harmonia, incluindo algumas dicas que podem nos ajudar nessa tarefa. Tenho percebido cada vez mais a busca constante das pessoas por alguma fórmula mágica que traga a felicidade, em virtude das turbulências que esse mundo digital está trazendo para nossas vidas, causando um grau de estresse e depressão nunca vistos anteriormente. Isso me levou a estudar um pouco mais a fundo o assunto da busca da felicidade e, consequentemente, uma razão para se viver, ou seja, um propósito de vida.

A Universidade de Berkeley na Califórnia tem um curso online chamado “The Science of Happiness”, ou seja, A Ciência da Felicidade, que explora os caminhos da felicidade e de um sentido para a vida por meio de várias pesquisas neurocientíficas e exercícios práticos. Será que esses estudos podem trazer respostas para tantas perguntas que nos fazemos no dia a dia?

Filósofos, cientistas e líderes espirituais têm debatido ao longo do tempo o que faz a vida valer a pena. A nossa vida é preenchida com felicidade ou com um propósito e razão para viver? Existe diferença entres esses dois conceitos? Num artigo escrito pelos pesquisadores Jill Suttie e Jason Marsh da UC Berkeley eles exploram esse tema.

O interessante é que essas questões não são meramente acadêmicas. Elas orientam onde vamos investir nossas energias para alcançar o tipo de vida que queremos. Muita gente acha que o estado de felicidade plena acontece quando tudo está dando certo na vida e que não teremos mais problemas ou dificuldades a serem enfrentadas. Me parece um conceito equivocado, pois não acredito que seja possível vivermos uma vida nesse planeta sem desafios, sem estresse, sem medos ou ansiedades. Na verdade, uma pessoa feliz deve ser aquela que encara os problemas de forma mais positiva e esperançosa, sabendo que as alternâncias de momentos felizes ou ruins fazem parte do processo evolutivo a que passamos nesse planeta.

Num outro artigo intitulado “Como um cérebro feliz responde a coisas negativas”, escrito por Summer Allen e Jeremy Adam Smith, também de Berkeley, eles comentam que a evolução nos dotou de instintos-chave para a sobrevivência, como evidenciado pela tendência do cérebro de sinalizar rapidamente e preparar o corpo para responder às potenciais ameaças do dia a dia. Ao pensar sobre o papel das emoções positivas na felicidade, o artigo acrescenta uma perspectiva interessante: a felicidade está associada a uma maior tendência para o cérebro sinalizar e responder às fontes de emoção positiva.

Talvez nem precisemos dizer, mas as pessoas com disposições mais positivas são mais capazes de gerenciar suas emoções do que as pessoas com personalidades mais sombrias e negativistas, que são mais propensas a serem afetados por eventos desagradáveis. Por que isso?

Existem várias possibilidades. Uma delas é que as pessoas mais felizes usam, metaforicamente, um “óculos cor-de-rosa” que lhes permitem concentrar-se nas coisas positivas e filtrar as negativas. Outra possibilidade é que as pessoas mais felizes sabem como melhor aproveitar e saborear as coisas boas da vida, que lhes permitem levantar o seu humor, mesmo que coisas ruins estejam acontecendo.

Bom, esse assunto é muito amplo e merece uma continuidade, não acham? No próximo artigo vamos falar um pouco mais desse cérebro positivo.

Um abraço e até lá.

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