Quem é você além de mãe?

A maternidade é uma das experiências mais intensas e transformadoras da vida. Ela amplia o amor, desperta coragem e ensina sobre entrega.
31/03/26 |
vero

Um convite ao reencontro com a mulher que existe além da maternidade e que talvez tenha sido silenciada pela sobrecarga

Rosa Griffel é terapeuta de mães atípicas. Realiza palestras e mentoras e é autora ds livros Mulheres que se Amam e Desmistificando o Autismo

MARÇO é o mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher. Recebemos homenagens, flores e mensagens que exaltam nossa força. Mas, em meio às celebrações, existe uma pergunta silenciosa que muitas evitam responder: quem é você além de mãe?

A maternidade é uma das experiências mais intensas e transformadoras da vida. Ela amplia o amor, desperta coragem e ensina sobre entrega. Mas também pode ocupar todos os espaços. Aos poucos, sem perceber, a mulher começa a se confundir com a função. O nome vira “mãe de”. Os sonhos ficam para depois. O cansaço vira rotina. E a força se torna obrigação.

Especialmente para mães que vivem uma rotina de sobrecarga — como aquelas que enfrentam a maternidade atípica —, o modo sobrevivência se instala. A prioridade é o cuidado. A agenda gira em torno de terapias, consultas e responsabilidades. E a mulher, muitas vezes, silencia-se. Ela aprende a suportar tudo, mas se esquece de existir.

A saúde emocional feminina não está apenas em “dar conta”. Está em reconhecer limites, validar sentimentos e permitir-se viver o luto das expectativas que não se cumpriram. Está em entender que a maternidade é parte da identidade — mas não a sua totalidade.

Quando toda a identidade é colocada na função materna, qualquer dificuldade se transforma em ameaça pessoal. Porque não é apenas um desafio; é como se fosse a perda de si mesma.

Perguntar “Quem sou eu além de mãe?” não é egoísmo. É maturidade emocional. É compreender que cuidar de si também é uma responsabilidade.

“Perguntar ‘quem sou eu além de mãe’ não é egoísmo. É maturidade emocional. É compreender que cuidar de si também é uma responsabilidade”

si também é uma responsabilidade. Que, para sustentar, é preciso estar inteira. Que, para amar, é preciso também se incluir nesse amor.

Neste mês da mulher, mais do que celebrar a força, é tempo de celebrar a consciência. De lembrar que você é mulher antes de exercer qualquer função. Que seus sonhos ainda existem. Que sua identidade merece espaço.

A maternidade é parte da sua história. Mas você é maior do que qualquer papel que exerça. E talvez a verdadeira força esteja justamente em não se abandonar para continuar sendo forte. □

ROSA GRIFFEL
📍 Al. Grajaú, 219, 3º andar, Alphaville
📲 (11) 94199-6107, @rosagriffel


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