Quem é você além de mãe?
Um convite ao reencontro com a mulher que existe além da maternidade e que talvez tenha sido silenciada pela sobrecarga

MARÇO é o mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher. Recebemos homenagens, flores e mensagens que exaltam nossa força. Mas, em meio às celebrações, existe uma pergunta silenciosa que muitas evitam responder: quem é você além de mãe?
A maternidade é uma das experiências mais intensas e transformadoras da vida. Ela amplia o amor, desperta coragem e ensina sobre entrega. Mas também pode ocupar todos os espaços. Aos poucos, sem perceber, a mulher começa a se confundir com a função. O nome vira “mãe de”. Os sonhos ficam para depois. O cansaço vira rotina. E a força se torna obrigação.
Especialmente para mães que vivem uma rotina de sobrecarga — como aquelas que enfrentam a maternidade atípica —, o modo sobrevivência se instala. A prioridade é o cuidado. A agenda gira em torno de terapias, consultas e responsabilidades. E a mulher, muitas vezes, silencia-se. Ela aprende a suportar tudo, mas se esquece de existir.
A saúde emocional feminina não está apenas em “dar conta”. Está em reconhecer limites, validar sentimentos e permitir-se viver o luto das expectativas que não se cumpriram. Está em entender que a maternidade é parte da identidade — mas não a sua totalidade.
Quando toda a identidade é colocada na função materna, qualquer dificuldade se transforma em ameaça pessoal. Porque não é apenas um desafio; é como se fosse a perda de si mesma.
Perguntar “Quem sou eu além de mãe?” não é egoísmo. É maturidade emocional. É compreender que cuidar de si também é uma responsabilidade.
“Perguntar ‘quem sou eu além de mãe’ não é egoísmo. É maturidade emocional. É compreender que cuidar de si também é uma responsabilidade”
si também é uma responsabilidade. Que, para sustentar, é preciso estar inteira. Que, para amar, é preciso também se incluir nesse amor.
Neste mês da mulher, mais do que celebrar a força, é tempo de celebrar a consciência. De lembrar que você é mulher antes de exercer qualquer função. Que seus sonhos ainda existem. Que sua identidade merece espaço.
A maternidade é parte da sua história. Mas você é maior do que qualquer papel que exerça. E talvez a verdadeira força esteja justamente em não se abandonar para continuar sendo forte. □
ROSA GRIFFEL
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