Transtornos alimentares e a importância da psicoterapia

São considerados transtornos alimentares a preocupação obsessiva com peso, aparência, anorexia, bulimia e compulsão alimentar

Por Shaiana Lick

Os transtornos alimentares são doenças crônicas complexas com ramificações físicas, sociais e psicológicas. Alguns fatores emocionais contribuem para o problema e o comportamento alimentar passa a ser ativado não pela fome física, mas por uma vontade repentina e o desejo por “conforto”. Nesses casos, a fome está ligada a emoções e a comida é usada como fonte primária de realização emocional, e pode ser chamada de “alimentação emocional”. Se come “para acalmar, entorpecer, confortar ou evitar” (R. Shapiro, 2009). Comer torna-se uma forma de lidar com emoções negativas.

Há evidências científicas de que a regulação emocional desempenha um papel crítico no consumo de alimentos de forma disfuncional.

Como mencionado em outra edição, a teoria do apego, que se concentra na regulação emocional, nos ajuda a compreender que nossos estilos de apego iniciais são cruciais para determinar o desenvolvimento da personalidade e a regulação do afeto.

Os padrões alimentares disfuncionais podem estar relacionados com a dificuldade de gerenciar o afeto. Um apego seguro e saudável, facilitado pela sintonia emocional é fundamental para o desenvolvimento da regulação do afeto e para melhora nos sintomas relacionados aos transtornos alimentares.

Além da importância do apego seguro, pesquisas mostram que indivíduos com trauma são mais propensos a desenvolver transtornos alimentares. Em determinado estudo, Tagay, Schlegl, Senf (2010), 63,3% dos clientes anoréxicos e 57,7% dos clientes com bulimia relatam um histórico de eventos traumáticos. Exemplos de traumas incluem abuso sexual ou físico, mudanças, conflitos familiares, divórcios, morte de um ente querido, negligências, suicídio ou assassinato de um membro da família ou testemunho de violência.

Quando o trauma ocorre, o cérebro não processa o evento adequadamente e isso pode afetar o presente. Os transtornos alimentares podem começar como uma forma de evitar os pensamentos e sentimentos do evento traumático e podem ser usados para suprimir emoções indesejadas, lidar com o estresse e ser usados como uma forma de enfrentar a vida. Descontar as emoções na comida, passa a ser um hábito e, com o tempo, o transtorno alimentar assume o controle.

Com a terapia, é possível armazenar experiências traumáticas de forma funcional, organizar as relações de apego e, aos poucos, o indivíduo pode desenvolver a capacidade de tolerar sentimentos desconfortáveis, regulação emocional e possível diminuição dos sintomas e comportamentos compulsivos relacionados à alimentação.

 


Shaiana Lick (CRP 06/138397) é psicóloga, pós-graduada em gestão de pessoas pela FIA e terapeuta EMDR pela Tapia Counseling (Consultor aprovado pela EMDRIA, USA). É membro da Associação Brasileira de EMDR, do Programa Ajuda Humanitária Psicológica – Brasil e do Projeto Social “Voa Borboleta” | Av. Sagitário, 138, sl 2213, Torre City, (11) 93310-4321, @shaianalick.emdr | shaianalick.com

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