Waltinho Nascimento: "Natal no Futebol"

Todo mundo que já teve a oportunidade de tirar uma foto com o Rei fez questão de postá-la. E nas plataformas esportivas o debate sobre a grandeza do líder da seleção do tri reascendeu
07/11/20 |
vero

No dia 23 de outubro foi o Natal do futebol. Foi o dia do nascimento do Messias. Edson Arantes do Nascimento. Ele mesmo, o Pelé, completou 80 anos. Nas redes sociais não faltaram homenagens. Todo mundo que já teve a oportunidade de tirar uma foto com o Rei fez questão de postá-la e nas plataformas esportivas o debate sobre a grandeza do líder da seleção do tri reascendeu.

Os mais velhos tendem a valorizar os feitos de Pelé, principalmente, com números como as três Copas do Mundo vencidas pela seleção brasileira e os mais de mil gols marcados.

Os mais jovens tendem a minimizar esses números, usando o velho argumento de que “nessa época se amarrava cachorro com linguiça”. Será que daqui 30 anos, quando os jogadores de futebol do futuro tiverem acesso a outros tipos de suplementos e, por que não, ajuda de inteligência artificial ou até de seleção genética em seu desempenho, esses ex-jovens, já velhos, irão menosprezar os feitos do Messi com a mesma veemência?

Mas outro assunto que cerca o Rei há muito tempo voltou a aparecer em alguns debates e eu, que me considero do time dos velhos, já liguei o sinal de alerta preocupado que a “molecada” quisesse cancelar Pelé.

Edson tem algumas atitudes bem contestadas durante sua vida. Desde uma situação muito mal explicada em relação ao reconhecimento de uma filha, passando por acusações de ter sofrido racismo mas nunca ter se juntado a nenhum movimento pela causa negra no país, chegando em processos de pensão alimentícia.

Sempre que leio algum comentário ou texto atacando Pelé – o atleta – pelas atitudes de Edson – o indivíduo – tenho calafrios. E sinto o mesmo quando o alvo é Woody Allen  (acusado de ter abusado sexualmente sua própria filha), Chico Buarque (defensor de políticos condenados no maior esquema de corrupção da história da humanidade), Wagner (um antissemita declarado), Caravaggio (homicida, se não me engano), George Washington e Winston Churchill (acusados de serem racistas)….

Vamos queimar todos os filmes, músicas e escritos desses grandes gênios que mudaram a história da arte e das sociedades liberais? É preciso distinguir esferas morais. O Pelé público, que parou guerras, que chorou ao carregar a tocha olímpica, eleito o maior atleta do século XX, jogador que reinventou o futebol em marketing, dribles, preparação física, conquistas inimagináveis e muito mais, não pode ser comparado a ninguém e muito menos minimizado pelos erros graves do Edson.

Edson deve, através da justiça da lei (ou por que não, da justiça divina se você é dos que acredita nisso) pagar pelos seus erros, mas Pelé é intocável!

Desejo ao Rei, como ele mesmo disse em vídeo nas redes sociais, mais 80 anos de vida!

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