Waltinho Nascimento: "Um longo caminho para a liberdade!"

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Vocês já assistiram a uma série de 2016 da ESPN chamada O.J. – Made in América?

Eu não tinha assistido ainda, resolvi cair de cabeça nos 5 episódios de uma hora e meia cada, há alguns dias – você pode assistir também no Star+ caso não tenha ESPN Watch.

Admito, quando terminei o último episódio as três da manhã de uma terça, mal pude dormir. Estava profundamente incomodado.

Primeiro, me surpreendeu ver imagens e entrevistas de O.J. Simpson antes do fatídico caso que mudou a vida de tanta gente. Nós aqui no Brasil que gostamos de esporte, sabíamos do caso, sabíamos que O.J. era um grande ídolo americano e sabíamos de seus feitos esportivos. Mas eu não tinha noção do tamanho da idolatria por parte do público e do imenso carisma que esse homem tinha. Fiquei com a sensação que se fosse hoje, seria como se Lebron James fosse acusado de tal crime. Lebron? Talvez nem ele represente o tamanho do respeito que a população americana tinha por O.J.

Além de um jogador fantástico, cheio de recordes pessoais, ele saiu do mundo esportivo para se tornar uma verdadeira celebridade de Hollywood com 36 títulos de atuações, segundo o IMDB, além de obviamente ser uma máquina de fazer dinheiro no mundo publicitário.

Mas tinha mais. O discurso, a forma simples mas carinhosa com que tratava os fãs, os amigos, os companheiros de trabalho. Suas entrevistas são cativantes. Sua voz e sua imagem eram extremamente belas. “QUE HOMEM!“

E tudo seguiu assim até o dia 12 de junho de 1994. Não que até ali ele já não tivesse cometido crimes, como bater em sua esposa mais de uma vez. Mas as pessoas não estavam muito dispostas a olhar para esses claros sinais de que algo ainda pior estava por vir. 

Então o crime acontece e em decorrência dele, o tal julgamento do século trouxe uma quase guerra civil que expôs como negros eram tratados pela polícia americana.

O resultado todo mundo sabe. O julgamento extrapolou os méritos do caso e acabou com um veredito a favor de O.J., mesmo com indícios robustos de que ele cometeu os assassinatos.

Tudo isso, mostra muito bem o documentário, em nome de uma suposta vingança contra os brancos pela forma como tratavam os negros na época (e ainda hoje?), e O.J. que nunca foi lá muito militante da causa, acabou colhendo os frutos da guerra.

Será que inocentar um culpado aproximou as pessoas da solução dessa crise racial, ou só dividiu mais os dois lados? Será que o caminho para resolvermos um problema grave passa pela vingança? Será que tomarmos um caminho sabidamente errado com a justificativa de que o outro é pior, ajuda ou atrapalha?

E o que me incomodou e tirou meu sono, você deve tá se perguntando? Respondo: em 2018 fizemos algo semelhante por aqui. Tomamos veneno para nos curarmos de um câncer. E pelo que tudo indica, devemos fazer algo parecido em 2022.

E aí eu pergunto a vocês: o que fazer? Para onde correr?

Recentemente também vi o filme “Long way to Freedon”, que conta a história de Nelson Mandela.

Mandela foi expulso da faculdade de direito, sonho antigo da família, por se dedicar a uma causa. Ficou uma vida (27 anos) preso por um regime segregador que depois de 21 anos de prisão lhe deu a oportunidade de liberdade, com a condição de que não lutasse mais contra o apartheid. Ele negou essa ¨liberdade¨.

Mas ao sair da prisão, perdoou os que o prenderam e após ser eleito presidente disse para os membros de seu partido: ¨Quero que vocês lembrem que os brancos não são mais nossos inimigos, agora eles são nossos compatriotas, nossos parceiros de democracia. Agora não é hora para vinganças mesquinhas e sim de construir a nossa nação. A nação arco-íris começa hoje, a reconciliação começa hoje. Sim, eu sei que isso foi tudo que eles negaram a nós….. O perdão também começa hoje.”

Vocês sabem bem o que fazer!

     

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