Helio Contador: “O cérebro social num mundo digital”

Se não aprendermos a usar o tempo de forma produtiva e equilibrada, poderemos ter consequência graves na nossa carreira profissional

Em um artigo anterior falamos sobre o grau crescente de intoxicação que estamos vivenciando nesse mundo cada vez mais digital. Nossa dependência dos equipamentos que nos mantém conectados às redes sociais 24 horas por dia nos 7 dias da semana já chegou a níveis patológicos.

Como também já citamos, nosso cérebro não mudou muito desde a era Sapiens, mas os avanços tecnológicos crescem exponencialmente, o que tem trazido consequências enormes na nossa vida. Basta ver o nível de ansiedade que a população mundial está enfrentando, tendo como uma das causas o fato de não sabermos lidar com a quantidade enorme de informações que chegam a cada minuto ao nosso cérebro. Leia também: “Comunicação e o cérebro: como saber ouvir?”

Num recente congresso que participei em Nova Iorque organizado pelo Neuroleadership Institute, que tem como foco o estudo dos modelos de liderança com base na Neurociência, um dos temas foi exatamente esse: como adaptar nosso cérebro social num mundo digital. Ao olharmos o ser humano como um ser integral em seu aspecto biopsicosócioespiritual, e, quando buscamos entender as causas das nossas doenças, seja pelo fator biológico, psicológico, social ou espiritual, esbarramos num fator que é inerente ao ser humano: a necessidade do convívio social, incluindo nesse item os aspectos familiares, amizades, socioculturais, socioeconômicos, religiosos, grupos sociais aos quais pertencemos, time de futebol do coração e tantos outros fatores que rodeiam nosso dia a dia. No sentido filosófico, se afirma que o funcionamento do corpo afeta nossa mente e o funcionamento de mente afeta nosso corpo. Alguém duvida disso?

E é aqui que entra o ponto central do tema desse artigo: como nosso cérebro social está lidando com um mundo digital, com a inteligência artificial ou a internet das coisas! O futuro será cada vez mais digitalizado, porém os humanos sempre terão um cérebro social. Ou seja, navegar na era digital vai exigir que compreendamos como os principais ativos do ser humano – nossas capacidades, nossas motivações e nossos preconceitos – serão tratamos nas muitas telas digitais que inundam nossa existência. Independentemente das atividades que exercemos, o comportamento humano será sempre o núcleo e o objetivo da inovação tecnológica. Isso significa que, prosperar num mundo digital vai exigir não somente estar na onda da tecnologia mais avançada e moderna, mas também estar sintonizado nas necessidades do cérebro social. Afinal, estamos na era batizada de VICA (volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade) ou VUCA em inglês.

As atividades profissionais de hoje serão altamente impactadas pelo avanço tecnológico e muitas delas vão desaparecer, dando oportunidade à novas profissões que vão surgir. Independente do trabalho, um fator de preocupação e foco comum a qualquer um de nós, será o uso do tempo. Esse talvez seja um dos recursos mais importantes no mundo futuro.

No mundo corporativo os estudos e pesquisas tem olhado bastante para o uso do tempo, não só pelo desperdício que ele pode representar, mas também pela qualidade de vida que pode representar. Se não aprendermos a usar o tempo de forma produtiva e equilibrada, poderemos ter consequência graves na nossa carreira profissional, ou mesmo nas vidas familiar e social. A forma como usamos nosso tempo será cada vez mais importante num mundo em que estamos conectados digitalmente em tempo integral, incluindo finais de semana e férias. Numa pesquisa recente com altos executivos nos EUA, quase 80% dos CEO’s entrevistados disseram que fecham negócios importantes nos finais de semana, ou seja, como fica o tempo para cuidar da família, acompanhar o crescimento dos filhos, do lazer com os amigos, cuidar da saúde física e mental, essenciais para mantermos um bom equilíbrio emocional?

Pois é, teremos que aprender a lidar com tudo isso, senão o preço a se pagar poderá ser alto demais. Ajustar o desempenho do cérebro social num mundo digital será nosso grande desafio. Por maior que seja o avanço da tecnologia, o cérebro humano continuará sempre social. Pelo menos na espécie que conhecemos até hoje!

Bom ficamos por aqui. Se tiver algum comentário sugestão é só incluir no final desse artigo. Sua opinião vale muito para os futuros artigos. Até lá…


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