Wilson Medeiros: “Prevenir – uma diligência sem fim”

Dependemos de profissionais e setores especializados em pensar estrategicamente sobre como agir para impedir catástrofes

“Prevenir é melhor do que remediar”, diz o bom e velho ditado. O que seria o mundo dos negócios sem a prevenção? Muitas vezes não nos damos conta do contingente de pessoas envolvidas nesse trabalho de certa forma “invisível”, mas essencial para que as coisas funcionem perfeitamente. 

Imaginemos o setor aéreo, por exemplo. Quantos desastres são evitados por conta do trabalho minucioso de técnicos e profissionais especializados que antecipam –e resolvem– problemas, antes mesmo de o avião decolar. Uma peça solta nessa engrenagem e tudo vai abaixo, literalmente.  

O mesmo acontece no setor de segurança, no que diz respeito a sequestros, assaltos, tecnologia, entre outros como saques de hackers desviados com soluções que previnem incêndios e acidentes que poderiam ser colossais. Só para exercitar, quem saberia responder quantos sequestros foram evitados na cidade de São Paulo neste mês?

Sempre fico imaginando um colapso no sistema de energia, aéreo, semáforos de trânsito, trens etc. Dependemos de profissionais e setores especializados em pensar estrategicamente sobre como agir –proativamente e preventivamente– para impedir catástrofes. 

 Diante desse quadro, proponho pensar na saúde das empresas, que em momento de extrema dificuldade contaram com profissionais e planos de contingência excepcionais que contiveram a derrocada daquela corporação. Leia também: “Help! Como pedir ajuda aos negócios”.

A cultura, por aqui, é mais voltada para o momento. Estamos sempre comemorando os golaços dos campos de futebol e quase não comentamos as extraordinárias defesas que o goleiro e seus zagueiros realizaram –a não ser quando falham. 

Segundo estudos de setores, há empresários e gestores que fraquejam ao mirar apenas para o lucro de suas companhias. Percebe-se ainda insuficiência de olhar estratégico voltado para as áreas responsáveis por prevenir e contingenciar a dinâmica dos negócios.

Para dar um exemplo, um estudo anual da Ernst & Young (EY) mostra que 65% das empresas brasileiras não estão preparadas para lidar com ameaças cibernéticas. A pesquisa, divulgada na edição do Global Information Security Survey (GISS), ouviu 1755 executivos C-level das áreas de Segurança da Informação e TI, em 67 países. Os números indicaram ainda que  43% das empresas nacionais não têm um programa para identificação de vulnerabilidades. Em contrapartida, detectou-se que, 1/3 da população brasileira, em um ano, já foi vítima de hackers.

Restrições no orçamento foram apontadas por 80% dos entrevistados como principal obstáculo para o avanço da área de segurança da informação. “É importante investir em robustez e agilidade dos sistemas para identificar e combater problemas”, advertiu Sérgio Kogan, sócio de Consultoria em Cibersegurança da EY, ao comentar o estudo. 

Mas atenção. Não se trata apenas de aplicar mais recursos financeiros em tecnologia, bem como investir na atração, desenvolvimento e retenção de técnicos habilitados. É imprescindível reconhecê-los financeiramente e publicamente, até porque seu sucesso é costumeiramente  “invisível”.

Seria injusto não brindarmos os segmentos e profissionais que se dedicam a procedimentos e intervenções de praxe, prevenindo atropelos nos resultados pré-estabelecidos no game de qualquer negócio. Lembrando que toda ação estratégica voltada para prevenção vai evitar que se tenha de remediar o problema lá na frente –algo que, quase sempre, já não tem mais remédio. 


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