Helio Contador: “Robô com alma”

Você já levantou a hipótese de um Robô ter alma e como eles reagiriam aos dilemas humanos de ética e moral?

Num artigo anterior falei sobre uma nova profissão que surgiu no mercado: professor de Robôs, onde se treina o conteúdo de sistemas inteligentes que fazem a interface entre cliente e fornecedor, quando falamos especificamente do chatbot. Está cada vez mais difícil distinguirmos se estamos falando com uma pessoa atendente da empresa ou um Robô dotado de inteligência artificial.

O jornal O Estado de S.Paulo do dia 31 de março publicou uma matéria que começa citando o casamento, numa capela em Tókio, de Akihiko Kondo, de um administrador escolar de 35 anos com uma cantora pop chamada Hatsune Miku. Tudo parece normal, exceto o fato de a cantora ser um holograma, e Kondo ter jurado amor eterno a ela, na alegria e na tristeza (não falaram em saúde e doença). Já existe um rótulo para esse tipo de relacionamento emocional entre humanos e equipamentos digitais inteligentes: são os digisexuais.

Essa introdução serve para entrarmos no tema principal desse artigo, que se baseia na hipótese de um Robô ter alma e como eles reagiriam aos dilemas humanos de ética e moral.

Esse assunto é tão atual e importante que o Papa Francisco participou recentemente do seminário “Roboética: Humanos, Máquinas e Saúde” que foi sediado na Academia Pontifícia da Vida, no Vaticano, em resposta às rápidas mudanças em biomedicina, aos avanços em técnicas de alteração de genoma humano e aos androides humanizados com inteligência artificial.

Uma das provocações veio do professor japonês Hiroshi Ishiguro, que criou na universidade de Osaka um robô igual a ele mesmo e acredita na possibilidade de transpor nossa alma para corpos inorgânicos, no caso, para robôs.

Como será que a igreja católica reagiu à essa posição?  O Arcebispo Vincenzo Paglia declarou: “A carne é o corpo com alma, e a alma é o espírito com carne. O corpo é muito importante para seres humanos. Através do corpo nós amamos, abraçamos e nos comunicamos uns com os outros. De um lado, estamos cientes desse progresso incrível, mas de outro sentimos que esse avanço pode causar riscos ao mundo. O risco é esquecermos que somos criaturas, e não criadores”.

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Segundo a codificação da doutrina Espírita, que, além de cristã, é reencarnacionista e evolucionista, um dos principais objetivos de estarmos vivendo nesse planeta é propiciar para nosso espírito a expiação de erros do passado e o desenvolvimento de virtudes para o futuro. Ficam então as perguntas: seria possível um espírito encarnar no corpo de um Robô? Um corpo inanimado teria as mesmas condições morais e emocionais para desenvolver a alma?

A Robô Sophia, famosa no mundo inteiro, é dotada de inteligência artificial capaz de manter uma conversação, quase de igual para igual, com um ser humano, mostrando inclusive diversas expressões faciais, imitando os humanos. Numa entrevista no ano passado ela chegou a mencionar que tinha alma, talvez sem saber exatamente o que isso significa.

Alguns filmes como o Exterminador do Futuro e Blade Runner, entre outros, já mostraram situações futurísticas com androides muito similares ao ser humano.

A confusão aumenta quando tentamos definir exatamente o que significa alma, mente, consciência, personalidade, crenças, superstições e outros tantos atributos humanos que trazem muito mais complexidade ao assunto em questão. Se lembrarmos que nosso cérebro é movido pelos instintos de sobrevivência e reprodução da espécie, seria possível transferir isso para uma “mente digital”? E a malandragem e o jeitinho brasileiros, como é que ficam nessa história?

Os questionamentos são muitos e os debates estão apenas começando, que vão certamente envolver todos os setores da sociedade, incluindo religiosos, instituições governamentais, médicos, cientistas, teólogos, terapeutas, filósofos e pensadores em geral. Como ficam as questões da ética, da religiosidade e da moral para essas criaturas cada vez mais humanizadas?

Ficamos por aqui, pois esse assunto não é para algumas linhas de um artigo, mas serve para provocar a curiosidade de tentarmos entender o que estará se passando “na cabeça” de um androide que estará sentado ao nosso lado num ônibus, num avião ou dirigindo nosso carro, por exemplo.

Fico só imaginando como seria o diálogo de um Robô deitado no divã de Freud…

Um abraço fraterno.


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